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Operação militar no oeste da Síria deixa 52 alauítas mortos, diz ONG
As forças de segurança sírias "executaram" 52 membros da minoria alauíta, à qual pertence o ex-presidente Bashar al Assad, durante uma operação no noroeste da Síria contra combatentes leais ao ex-presidente deposto, afirmou uma ONG nesta sexta-feira (7).
As autoridades do país enviaram reforços nesta sexta e realizaram grandes operações de rastreamento na região depois que pelo menos 124 pessoas foram mortas em confrontos intensos, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSHR).
Um toque de recolher foi imposto nas regiões costeiras de Latakia, um feudo da comunidade alauíta, e Tartous, mais ao sul, e estará vigente até sábado.
O ex-presidente Bashar al Assad, que fugiu para a Rússia depois de governar o país com mão de ferro por 24 anos, foi derrubado em 8 de dezembro por uma aliança de grupos rebeldes islamistas liderados pelo grupo radical Hayat Tahrir al Sham (HTS).
Desde então, as novas autoridades têm enfrentado o desafio de restaurar a segurança no país, palco de uma sangrenta guerra civil que começou em 2011 e deixou mais de meio milhão de mortos.
"À noite, ouvimos tiros e explosões com a chegada de reforços maciços", disse Ali, contatado pela AFP de Damasco, em Jableh, cerca de 10 quilômetros ao sul de Latakia.
"As pessoas estão ficando em casa, todos estão com medo. A chegada de veículos militares e comboios de todas as partes não é tranquilizadora", acrescentou.
Mustafa Kneifati, chefe de segurança em Latakia, fez menção a um ataque "planejado e premeditado" contra posições do governo na região.
De acordo com o OSDH, uma organização sediada em Londres, mas com uma extensa rede de informantes na Síria, as forças de segurança "executaram" 52 alauítas na sexta-feira em dois locais em Latakia, Al Shir e Al Mujtariya, com base em vídeos e testemunhos.
A ONG e os milicianos divulgaram vídeos que mostram dezenas de corpos de civis empilhados no pátio de uma casa. Outra gravação exibe homens em trajes militares ordenando que três pessoas se ajoelhem antes de matá-las à queima-roupa.
A AFP não conseguiu verificar a autenticidade desses vídeos.
- "Grupos ilegais" -
A Arábia Saudita condenou a violência cometida por "grupos ilegais" contra as forças de segurança. A Turquia, que faz fronteira com a Síria, alertou contra qualquer provocação que ameace a paz "na Síria e na região".
Imagens divulgadas pela agência de notícias oficial Sana nesta sexta-feira mostraram combatentes armados das novas forças de segurança em caminhonetes entrando nas cidades de Baniyas e Tartous.
Outra filmagem capturada pela AFP em Al Bab, no norte da Síria, mostra combatentes em uniforme militar pertencentes ao Exército Nacional Sírio - uma facção pró-turca - indo em direção a Latakia em apoio às novas autoridades.
Em 24 horas, os combates deixaram 72 mortos, incluindo 36 membros das forças de segurança, 32 combatentes armados e quatro civis, informou o OSHR.
De acordo com a Sana, que citou uma fonte das forças de segurança, as "operações de pente fino" tiveram como alvo membros "das milícias de Assad e aqueles que os apoiaram e auxiliaram" em Latakia e Tartous.
Durante a operação em Latakia, as forças de segurança anunciaram a detenção em Jableh do general que comandava a segurança da Força Aérea, uma das agências mais próximas da família Assad, informou a Sana.
"Nossas forças na cidade de Jableh conseguiram prender o general criminoso Ibrahim Huweija", afirmou a agência. "Ele é acusado de centenas de assassinatos no período do criminoso Hafez al Assad", pai e antecessor do presidente deposto.
O diretor de segurança da província também afirmou que as forças governamentais haviam entrado em confronto com homens armados leais a um comandante das forças especiais da era Assad, Suheil al Hassan, apelidado de "o Tigre".
bur-lar-jos-jsa/anr/feb/sag/mb/cjc/fp/yr/aa
E.Rodriguez--AT