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China inicia seu conclave político anual com crescimento e Trump como protagonistas
O maior evento político anual da China começou nesta terça-feira(4) em Pequim com uma dupla reunião entre o Parlamento e de um órgão consultivo que se concentrará na desaceleração da economia e nas tarifas alfandegárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Milhares de delegados chegaram à capital chinesa para as chamadas "Duas Sessões", os encontros plenários do Congresso Nacional do Povo (CNP) e a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), que começaram na tarde desta terça-feira.
Embora altamente coreografadas e com textos pré-aprovados pelo Partido Comunista, recebendo apoio quase unânime, essas reuniões fornecem um panorama das prioridades de Pequim, especialmente diante de um Estados Unidos agora imprevisível.
Em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, o porta-voz da sessão do CNP, Lou Qinjian, reconheceu que a economia nacional enfrenta "inúmeras dificuldades e desafios".
"A incerteza econômica e política global está aumentando (...), a demanda interna é insuficiente e algumas empresas estão enfrentando dificuldades de produção e operação", disse ele.
Ele também elogiou a capacidade da China de superar essas turbulências graças à "forte resiliência e grande potencial".
A abertura das "Duas Sessões" coincidiu com a entrada em vigor de novas tarifas impostas por Washington, às quais a China respondeu imediatamente anunciando taxas alfandegárias sobre diversas importações agrícolas dos Estados Unidos.
Muitos observadores esperam que a cúpula anual leve a medidas para impulsionar a demanda interna, o que será necessário para compensar uma possível queda nas exportações devido à guerra comercial com os Estados Unidos.
- "Propaganda" -
O destaque das "Duas Sessões" é a reunião do Congresso Nacional do Povo, que começará na quarta-feira com um discurso do primeiro-ministro Li Qiang delineando as metas econômicas da China para 2025.
Analistas ouvidos pela AFP preveem uma meta de crescimento do PIB de 5%, como no ano passado.
Desde a pandemia, a economia do gigante asiático não conseguiu recuperar seu esplendor, prejudicada por uma crise persistente no setor imobiliário, consumo fraco e alto desemprego juvenil.
Os líderes chineses tentarão enviar a mensagem de que o país "ainda está bem", disse Alfred Wu, professor da Escola de Políticas Públicas Lee Kuan Yew, de Singapura.
No entanto, o especialista não espera nenhuma medida específica durante as "Duas Sessões", então a influência nas bolsas de valores será "limitada".
"No passado, a reunião do CNP era uma forma de definir prioridades políticas. Agora é mais sobre enviar uma mensagem e fazer propaganda", disse ele.
Os investidores estarão atentos a quaisquer sinais de mais apoio ao setor privado após uma rara reunião em fevereiro entre o presidente chinês Xi Jinping e os principais empresários tecnologia do país.
A China também deve anunciar na quarta-feira seu orçamento militar para 2025, que, seguindo a tendência das últimas décadas, aumentará.
Observadores da política chinesa também aguardam pistas "sobre quem pode subir na hierarquia do PCC à medida que a liderança atual envelhece", disse Chong Ja Ian, professor da Universidad Nacional de Singapura.
Xi Jinping, por exemplo, tem 71 anos e seu primeiro-ministro Li tem 65. Outro veterano líder chinês, o chanceler Wang Yi (71 anos), realizará uma coletiva de imprensa durante a semana para falar sobre este importante conclave.
T.Perez--AT