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Zelensky viaja a Londres após bate-boca na Casa Branca
Volodimir Zelensky será recebido neste sábado (1º) pelo primeiro-ministro Keir Starmer em Londres, na véspera de uma cúpula europeia organizada na capital britânica para reafirmar o apoio a Kiev depois do bate-boca entre o presidente ucraniano e Donald Trump na Casa Branca.
Starmer garantiu na noite de sexta-feira seu "apoio inabalável" ao dirigente ucraniano, depois que o presidente americano o expulsou da Casa Branca ameaçando deixá-lo "sozinho" se não alcançar a paz com a Rússia.
A Rússia, por outro lado, classificou a visita de Zelensky a Washington de "completo fracasso político e diplomático".
A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, também acusou o dirigente ucraniano de estar "obcecado em continuar a guerra", de ser "incapaz de demonstrar senso de responsabilidade" e de "rejeitar a paz" com Moscou.
A maioria dos dirigentes europeus cerrou fileiras com o presidente ucraniano, atônitos pelo espetacular bate-boca da sexta-feira no Salão Oval diante das câmeras de todo o mundo, depois do qual Zelensky deixou prematuramente da Casa Branca sem assinar o acordo sobre minerais que o levou a Washington.
Para a diplomacia alemã, a altercação "inqualificável" entre Trump e Zelensky mostra que "começou uma nova era de infâmia".
"Está claro que o mundo livre precisa de um novo líder. Cabe a nós, os europeus, assumirmos este desafio", exortou a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.
Cerca de 15 dirigentes europeus vão se reunir com essa perspectiva no domingo em Londres para uma cúpula dedicada à segurança europeia e à Ucrânia.
- 'Apoio militar contínuo' -
Na reunião estarão representados — além de Otan e União Europeia — Ucrânia, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha, Finlândia, Suécia, Dinamarca, República Tcheca, Polônia, Romênia e Turquia.
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, que participará da cúpula, conversou neste sábado com seu par russo, Sergei Lavrov, indicaram seus serviços.
A Turquia, que acolheu negociações russo-ucranianas no início da guerra há três anos, está disposta a fazer isso novamente, reiterando seu apoio à "integridade territorial, soberania e independência" da Ucrânia, detalhou uma fonte diplomática em Ancara.
O gabinete do premiê britânico explicou que a cúpula em Londres dá "continuidade" à realizada em Paris em meados de fevereiro e que se concentrará no "reforço da posição da Ucrania atualmente, incluído um respaldo militar contínuo e maior pressão econômica sobre a Rússia".
Os participantes também falarão da "necessidade para a Europa de desempenhar seu papel em matéria de defesa" diante do risco de retirada do guarda-chuva militar e nuclear americano.
O presidente francês, Emmanuel Macron, disse estar disposto a "abrir a discussão" sobre uma eventual futura dissuasão nuclear europeia após um pedido nesse sentido do futuro chefe de governo alemão, Friedrich Merz.
O conservador, ganhador das últimas eleições, acredita que a Europa deve se preparar para "o pior cenário" de uma Otan abandonada por Washington.
- Zelensky descarta desculpas -
A tensão aumentou depois do bate-boca alucinante da sexta-feira no Salão Oval diante da imprensa de todo o mundo.
Trump repreendeu Zelensky dizendo que estava "em uma posição muito ruim" e "sem cartas na mão", e o acusou de apostar "com o risco de uma terceira guerra mundial".
"Ou alcançam um acordo ou os deixaremos sós", disse o republicano a um presidente ucraniano que tentou se defender diante das acusações de Trump e de seu vice-presidente, J.D. Vance.
O magnata republicano instou seu convidado a se retirar, anulando a coletiva de imprensa, o almoço de trabalho e a assinatura do acordo sobre os minerais. "Você pode voltar quando estiver preparado para a paz", disse Trump em sua plataforma Truth Social.
Questionado posteriormente pela emissora Fox News, Zelensky reconheceu que será "difícil" para a Ucrânia conter a invasão russa sem a ajuda de Washington, mas mostrou-se esperançoso de poder retomar a relação com Trump.
Contudo, descartou um pedido de desculpas ao presidente americano como exigiu o secretário de Estado Marco Rubio.
Nas ruas de Kiev, muitos ucranianos louvaram a determinação do presidente. "Não nos decepcionou", afirmou Roman Shkanov, um atendente de 32 anos.
Mas Anna Plachkova, médica de 26 anos, manifestou inquietação com as consequências futuras. "O apoio americano é muito importante [...] por isso, infelizmente, não acho que seja positivo para nós".
O.Gutierrez--AT