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'Não tenho palavras': discussão entre Trump e Zelensky causa indignação na Ucrânia
"Não tenho palavras", diz o ucraniano Roman Shkanov, que trabalha em um escritório, surpreso e indignado após a discussão desta sexta-feira entre os presidentes Volodymyr Zelensky e Donald Trump na Casa Branca.
"Que um país tão forte adote uma postura tão fraca e apoie ditaduras... Que, em suma, beije os seus pés...", lamentou Shkanov, 32, ainda sem acreditar no ocorrido horas antes. "Ele defendeu totalmente os nossos interesses, não deixou que nos arrastassem para uma espécie de escravidão", disse, sobre Zelensky.
O encontro entre os dois líderes em Washington terminou com Trump repreendendo Zelensky e o acusando de não ser grato o suficiente pela ajuda fornecida pelos Estados Unidos para conter a invasão russa iniciada em fevereiro de 2022.
Nas ruas de Kiev, a maioria das pessoas ouvidas pela AFP pensa como Shkanov e apoia Zelensky diante das críticas feitas por Trump, que pareceu estar mais em sintonia com o presidente russo, Vladimir Putin.
"Você não pode ficar calado" quanto Trump e Vance "dizem essas bobagens", comentou Valentin Burianov, 26. Ele "fez o que deveria", afirmou, sobre Zelensky.
- Esperança desfeita -
A médica Anna Plachkova, 26, ressaltou em Kiev que todos os ucranianos "estão muito agradecidos e muito cientes do que as pessoas de outros países sacrificam para oferecer assistência à Ucrânia. Trump tocou em um ponto sensível aqui, é uma acusação muito grave dizer que somos ingratos."
Os Estados Unidos forneceram à Ucrânia mais de US$ 60 bilhões em ajuda militar desde o começo da invasão russa, segundo dados oficiais.
A notícia da discussão na Casa Branca preocupa Anna: "O apoio dos Estados Unidos é muito importante. A discussão pode ter um grande impacto na nossa situação e no curso da guerra."
Lilia Ivanova, 22, tem o mesmo medo. "Sinto que nada disso é bom. O que está acontecendo não é bom para a Ucrânia", lamentou a jovem, que acreditava que Trump poderia trazer a paz para o seu país: "Tínhamos esperança de que a guerra terminaria em uma semana, em três meses, em um ano... Tínhamos alguma esperança com Trump, mas ela está se desfazendo."
T.Perez--AT