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Multidão se reúne em Israel para último adeus a Shiri Bibas e seus filhos
Milhares de pessoas se reuniram em Israel nesta quarta-feira (26) para o cortejo fúnebre com os restos mortais de Shiri Bibas e seus dois filhos pequenos, mortos em cativeiro em Gaza e que se tornaram símbolo da tragédia dos reféns, seguido de um funeral privado para familiares.
"Shiri, sinto muito por não ter podido proteger a todos", lamentou o refém israelense libertado Yarden Bibas no funeral de sua esposa nascida na Argentina, Shiri Bibas, e de seus dois filhos, que morreram em cativeiro em Gaza.
Yarden relembrou as características de seus dois filhos pequenos, Kfir e Ariel, de oito meses e quatro anos, respectivamente, quando foram sequestrados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e que, junto com Shiri, lhe deram uma "família perfeita", disse no início do funeral privado em um cemitério perto do Kibutz Nir Oz.
O cortejo partiu de Rishon LeZion, uma cidade ao sul de Tel Aviv, até Nir Oz, o kibutz da família Bibas no sul israelense, a 100 quilômetros de distância, onde milhares de pessoas se reuniram para acompanhar os familiares.
A família Bibas pediu, nesta quarta-feira, que todas as autoridades israelenses assumissem a responsabilidade pela morte de seus entes queridos sequestrados em Gaza.
"Não tem sentido o perdão antes de que os falhas sejam investigadas e todos os funcionários assumam sua responsabilidade... Poderiam tê-los salvado, mas preferiram a vingança", disse Ofri Bibas, irmã de Yarden, no funeral de sua cunhada e sobrinhos.
Os corpos de Shiri, Kfir e Ariel foram devolvidos para Israel na semana passada pelo movimento islamista palestino, como parte do acordo de trégua na Faixa de Gaza.
Yarden também foi sequestrado em 7 de outubro de 2023 e libertado no dia 1º de fevereiro em uma troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos, mas até então não sabia que sua família havia sido morta.
O Hamas insiste que um ataque aéreo israelense matou a família no início da guerra, mas uma autópsia israelense disse que não havia evidências de ferimentos causados por bombardeios.
"Shiri, eu te amo e sempre te amarei. Shiri, você é tudo para mim. Você é a melhor esposa e mãe que pode existir. Shiri, você é minha melhor amiga", afirmou Yarden ao ler seu discurso transmitido ao vivo pela televisão em Israel.
"Você se lembra de nossa última decisão juntos? Na sala segura, eu lhe perguntei se deveríamos 'lutar ou nos render'. Você disse 'lutar', então eu lutei. Shiri... Se eu soubesse o que ia acontecer, não teria atirado", disse ele, descrevendo os eventos do dia em que foram atacados em Nir Oz.
O funeral contou apenas com a presença de familiares e pessoas próximas, e não foi aberto à imprensa. No entanto, uma multidão se reuniu nas calçadas de Rishon LeZion com balões laranja, o símbolo das crianças de cabelos vermelhos, agitando bandeiras israelenses e fotos de Shiri, Ariel e Kfir.
- "País quebrado" -
Quando a procissão de veículos pretos entrou na cidade, a multidão cantou o hino nacional israelense, observou um jornalista da AFP.
"É um dos momentos mais difíceis desde 7 de outubro", disse um comentarista da TV israelense 12, que transmitiu o cortejo ao vivo.
"Quando penso no dia 7 de outubro, lembro, antes de tudo, daquela família", disse à AFP Aviv Nahman, morador de Rishon LeZion.
"Se eu paro para pensar nisso por mais de uma fração de segundo, me sinto muito mal, muito mal", disse à AFP Simi Polonasky, de 38 anos, que viajou de Miami para apoiar as famílias dos reféns.
"Esta não é uma situação normal (...) você se sente tão abalado que é quase difícil continuar", disse a mulher em Rishon LeZion.
Dezenas de pessoas acenderam velas na beira da estrada. "Estamos aqui para abraçar as pessoas, para nos fortalecer e dar toda a força que pudermos", ressaltou Mottel Gestetner, de 41 anos, vindo da Austrália.
"Hoje eu vejo da janela (do carro) um país quebrado. Não podemos nos recuperar ou nos curar até que o último refém esteja em casa. Obrigada a todos", disse Ofri Bibas em sua conta no Facebook.
Das 251 pessoas capturadas em Israel durante o ataque surpresa de 7 de outubro de 2023, 62 permanecem reféns em Gaza, das quais 35 foram mortas, de acordo com o exército israelense.
P.A.Mendoza--AT