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Mais de 100 migrantes asiáticos deportados pelos EUA para o Panamá recusam repatriação
O governo panamenho declarou nesta terça-feira (25) que 103 migrantes asiáticos, dos 299 deportados pelos Estados Unidos ao Panamá há quase duas semanas, se recusam a ser enviados de volta para seus países de origem.
Os migrantes que rejeitam a repatriação devem ser realocados em outros países pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), segundo as autoridades panamenhas.
"Atualmente, há 103 pessoas que até agora não aceitaram viajar voluntariamente" para seus países de origem, afirmou o ministro panamenho da Segurança, Frank Ábrego, em uma coletiva de imprensa.
Panamá, Costa Rica e Guatemala concordaram em servir como "ponte" para as deportações dos Estados Unidos ordenadas pelo governo de Donald Trump.
Segundo Ábrego, dos migrantes que chegaram ao Panamá, 101 já viajaram para seus respectivos países e dezenas de outros o farão nos próximos dias.
Os migrantes que se recusam a ser repatriados estão no abrigo de San Vicente, na província selvática do Darién, na fronteira com a Colômbia, cerca de 220 km ao sudeste da capital panamenha.
Eles não podem sair do abrigo, embora o governo panamenho negue que estejam detidos.
Esse centro foi construído há pouco mais de dois anos para abrigar temporariamente migrantes que entravam no Panamá vindos da Colômbia, após cruzarem a inóspita selva do Darién em sua jornada pela América Central e México rumo aos Estados Unidos.
Ao chegarem ao Panamá, os deportados, entre eles iranianos, afegãos, paquistaneses, chineses e indianos, foram mantidos em um hotel da capital. Lá, alguns exibiram cartazes manuscritos em inglês pelas janelas, com mensagens como: "Por favor, ajudem-nos" e "Não estamos seguros em nosso país".
Segundo o jornal The New York Times, que teve contato com alguns dos deportados, um dos migrantes tentou cometer suicídio. Além disso, o governo panamenho informou que uma cidadã chinesa fugiu, mas foi recapturada na Costa Rica e devolvida ao Panamá.
A.Clark--AT