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Netanyahu elogia visão 'ousada' de Trump sobre o futuro de Gaza
Israel e Estados Unidos têm um planejamento comum em relação a Gaza, declarou o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, elogiando a "visão ousada" do presidente Donald Trump após conversas com o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio.
O secretário de Estado, que inicia sua primeira viagem pelo Oriente Médio, planeja defender a proposta do presidente republicano de tomar a Faixa de Gaza e transferir sua população para Egito e Jordânia.
"Conversamos sobre a visão ousada de Trump para o futuro de Gaza e trabalharemos para garantir que essa visão se torne realidade", declarou Netanyahu à imprensa após a reunião, acrescentando que ambos os líderes têm uma "estratégia comum" para o futuro do território palestino devastado.
A ideia do presidente americano é celebrada em Israel, mas amplamente criticada pela comunidade internacional.
A visita de Rubio acontece um dia após a libertação de três reféns israelenses capturados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 em troca de 369 prisioneiros palestinos mantidos em Israel. A troca foi a sexta desde que a trégua entrou em vigor em 19 de janeiro, após mais de 15 meses de guerra.
Netanyahu alertou no domingo que Israel abriria "as portas do inferno" em Gaza, a menos que todos os reféns fossem devolvidos, em sintonia com Trump, que disse que o "inferno" seria instalado se o Hamas não os libertasse.
Durante a noite, Israel afirmou ter recebido um carregamento de bombas fabricadas nos Estados Unidos.
"A qualquer momento os combates podem recomeçar. Esperamos que a calma continue e que o Egito exerça pressão sobre Israel para evitar que eles reiniciem a guerra e desloquem pessoas", disse Nasser al Astal, um professor aposentado de 62 anos de Khan Yunis, no sul de Gaza.
Washington, o principal aliado de Israel, declarou sua abertura a ouvir propostas alternativas dos governos árabes, mas insiste que, por enquanto, "o único plano é o plano de Trump".
O presidente egípcio Abdel Fatah al Sissi disse neste domingo que o estabelecimento de um Estado palestino é "a única garantia" de uma paz duradoura no Oriente Médio.
- Retomada das negociações? -
O conflito começou em 7 de outubro de 2023, após um ataque do Hamas no sul de Israel que matou 1.211 pessoas, a maioria civis, de acordo com um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
Os comandos islamistas também capturaram 251 pessoas naquele dia, 70 das quais permanecem em Gaza, embora 35 estejam mortas, de acordo com o exército israelense.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva implacável em Gaza, que já deixou pelo menos 48.264 mortos, de acordo com dados do Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas, que a ONU considera confiáveis.
A primeira fase da trégua, mediada por Catar, Egito e Estados Unidos, libertou até agora 19 reféns israelenses e 1.134 palestinos. O acordo prevê que 33 reféns sejam libertados nessa fase, em troca de 1.900 prisioneiros palestinos.
A segunda fase do acordo deve permitir o retorno de todos os reféns e o fim definitivo da guerra, mas sua implementação é incerta porque as negociações ainda não começaram.
A terceira e última fase será dedicada à reconstrução da Faixa, para a qual a ONU estima que serão necessários mais de US$ 53 bilhões (R$ 303 bilhões na cotação atual).
- Hamas "deve ser eliminado" -
O cessar-fogo também foi abalado nesta semana em meio a acusações mútuas de violação do acordo.
Antes do encontro entre Netanyahu e Rubio, o exército israelense anunciou que bombardeou "vários indivíduos armados" no estreito território palestino.
O Hamas, classificado como uma organização "terrorista" por Estados Unidos, Israel e União Europeia, indicou que três policiais morreram perto da cidade de Rafah, no sul do território.
Este é, pelo menos, o segundo ataque aéreo israelense em Gaza desde o início da trégua.
Neste domingo, em seu encontro com Netanyahu, Rubio garantiu que o "Hamas não pode seguir como força militar ou governamental (...) eles devem ser eliminados".
Após se encontrar com o premiê, o chefe da diplomacia americana se reunirá com o seu contraparte Gideon Sa'ar, com o presidente Isaac Herzog e com o líder da oposição israelense Yair Lapid.
Em seguida, viajará para Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O reino saudita sediará uma cúpula de cinco países árabes em 20 de fevereiro para elaborar uma resposta à proposta de Trump de assumir o controle de Gaza, deslocar seus 2,4 milhões de habitantes e transformá-la em um destino turístico de luxo como a Riviera francesa.
H.Gonzales--AT