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Trump desperta medo e desconfiança na Ucrânia
No leste da Ucrânia, uma região devastada pelos combates, a Casa Branca parece distante, mas a posição ambígua de seu inquilino Donald Trump sobre a guerra com a Rússia cria uma nova dor de cabeça para os soldados exaustos.
O presidente dos Estados Unidos, cujo país é o principal apoiador de Kiev, causou grande agitação na quarta-feira (12) ao concordar em iniciar negociações "imediatas" com seu par russo, Vladimir Putin.
Após sua conversa, Kiev e seus aliados temem ainda mais que Washington ceda aos desejos de Moscou e deixe de oferecer sua ajuda essencial, quase três anos após o início da invasão russa.
No frio cortante da região de Donetsk, Artem, um comandante da 93ª brigada, admite sem rodeios que uma interrupção da assistência americana teria consequências "catastróficas".
"Continuaremos perdendo", comenta o militar de 42 anos, que afirma à AFP ter perdido "muitos amigos".
Ele supervisiona o treinamento de seus novos soldados, que em breve terão que enfrentar o fogo russo.
"Já estamos pagando um preço alto e será ainda mais alto", lamenta.
O militar, cauteloso, não se sente confortável com os temas diplomáticos, porém, diz que a mudança de tom de Washington o "preocupa".
Na quarta-feira, o governo Trump considerou que a adesão da Ucrânia à Otan não era realista, assim como o retorno do país às suas fronteiras anteriores a 2014, ou seja, com a Crimeia, que Moscou anexou naquele ano.
Dois golpes para Kiev que se somam às declarações de Trump na segunda-feira, que mencionou que a Ucrânia "poderia ser russa algum dia".
- "O que podemos fazer?" -
Mas isso é algo impensável para o soldado Sava. "Não quero estar na Rússia. Por isso estou aqui, em uma guerra", enfatiza.
Em seu grupo de soldados, no qual alguns prisioneiros escolheram o exército como alternativa à prisão, os olhares se tornam evasivos quando se fala de Trump.
"Eles são políticos, somos apenas pessoas comuns, o que podemos fazer? Lutamos, é isso", resume Sava.
No entanto, ele diz estar disposto a ceder alguns dos territórios ocupados para alcançar a paz.
Em Kiev, as autoridades pouco comentaram as recentes declarações do presidente americano, que, por outro lado, alegram Moscou.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, admitiu que não foi "muito agradável" que Trump tenha falado primeiro por telefone com Putin.
E pediu que Washington e Kiev alcancem juntos um plano para "deter" o líder do Kremlin, antes de qualquer negociação.
Andri Kovalenko, diretor para o exército ucraniano do centro de combate à desinformação, ativo nas redes sociais, criticou a "miopia" dos "políticos".
Segundo ele, a Ucrânia precisa de "decisões rápidas por parte da Europa".
Nas ruas de Kiev, a capital, os comentários foram ainda mais severos.
"Inaceitável", "impróprio", acusa Sofia, uma estudante de 18 anos "indignada" pelas declarações americanas.
Negociar unilateralmente com o "ditador" Putin é "simplesmente uma traição a nós", critica.
Para ela, sob tais condições, a paz só durará "10 anos, talvez 15", antes que Trump "decida entregar toda a Ucrânia à Rússia".
Sofia também insta o magnata republicano a pensar que "a separação por um oceano não o salvará de uma guerra com Putin".
led-afptv/fv/mab/es/ic/aa
W.Stewart--AT