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Brasil 'não entrará em guerra comercial' por tarifas sobre o aço
O governo brasileiro afirmou nesta terça-feira (11) que não pretende entrar em uma guerra comercial com os Estados Unidos, mas chamou as tarifas impostas pelo presidente americano às importações de aço de "unilaterais" e "contraproducentes".
"O Brasil não estimula e não entrará em nenhuma guerra comercial", disse o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, após um evento em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O presidente Lula tem dito sempre, e com muita clareza: 'guerra comercial não faz bem para ninguém'", enfatizou.
"Medidas unilaterais desse tipo são contraproducentes para a melhoria da economia global, que perde com isso, com essa retração, com essa desglobalização que está acontecendo", disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltando que o aumento tarifário de Trump "não é uma decisão contra o Brasil", e sim "uma coisa genérica, contra todo o mundo".
Haddad disse que o governo está observando as reações de outros países e avaliando como agir diante das tarifas de Trump.
O presidente americano, Donald Trump, determinou ontem a adoção de tarifas alfandegárias de 25% às importações de aço e alumínio, que vão entrar em vigor em 12 de março, "sem exceções, nem isenções". Essas tarifas vão afetar duramente o Brasil, segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá.
Setores empresariais expressaram preocupação, mas esperam criar um espaço para negociações. A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) pediu "uma solução negociada para preservar o comércio bilateral", que bateu recordes nos últimos anos.
Em seu primeiro mandato, Trump já havia imposto tarifas de 25% sobre o aço, mas depois recuou parcialmente. Seu governo "criou um programa de cotas para permitir a importação de aço e alumínio" sem tarifas, "devido à falta de poder da indústria americana para atender à demanda", explicou à AFP Jackson Campos, da exportadora brasileira AGL Cargo. Ele antecipa "uma negociação diplomática" do Brasil para tentar flexibilizar as tarifas.
A.Moore--AT