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Noboa e González, adversários em extremos opostos em um Equador dividido
Eles estão em polos opostos em um país dividido.
Muito ativo nas redes sociais e nascido em berço de ouro, o presidente Daniel Noboa, um empresário de 37 anos, explora sua imagem juvenil, combinada com uma política de linha-dura na segurança pública, que o transformou em um dos políticos mais populares de seu país, assolado pela violência do narcotráfico.
Do outro lado está a candidata Luisa González, criada em um pequeno povoado pesqueiro e dotada de uma língua afiada. Esta mãe solteira, cristã e advogada, que se identifica como 'montuvia' - ou caiçara - é a aposta da esquerda para voltar ao poder.
Mas algumas coisas Noboa e González têm em comum: o gosto pelas tatuagens, os esportes e os animais.
- Noboa, um camaleão em guerra -
Um dia, ele parece o Rambo. No alto de um tanque militar, vestindo colete à prova de balas e capacete de guerra, faz advertências aos criminosos nas regiões mais perigosas do Equador. Em outros dias, pode ser visto no Instagram usando uma impecável camisa branca e tênis, arranhando uma música dos Goo Goo Dolls em um violão acústico e cantarolando e inglês.
Sommelier e músico amador, Noboa nasceu nos Estados Unidos. Seu pai, Álvaro, um rico empresário bananeiro, disputou as eleições presidenciais antes do filho em cinco ocasiões, sem ter sucesso.
Noboa termina seu mandato como um dos presidentes mais jovens do mundo. Foi eleito para completar, até maio próximo, o mandato de Guillermo Lasso, que dissolveu o Congresso e abriu o caminho para eleições antecipadas para evitar ser deposto em um processo de impeachment, acusado de corrupção.
Ele atraiu apoiadores com sua espetacular ofensiva contra o narcotráfico, que incluiu militarização, o início da construção de prisões e a exibição de presos seminus, o que lhe rendeu comparações com seu contraparte salvadorenho, Nayib Bukele.
Ele também foi criticado por órgãos de defesa dos direitos humanos por abusos da força pública durante os prolongados estados de exceção e a declaração de conflito armado interno.
Seu governo se atribui a diminuição da taxa de homicídios do recorde de 47/100.000 em 2023 para 38/100.000 em 2024. Mas "nada se resolve em um ano", repete o presidente de discursos brevíssimos e relação distante com a imprensa.
Nas redes sociais, ele se mostra próximo do povo, cercado por mulheres e amoroso com a família.
Noboa define a si próprio como de centro esquerda, mas venceu com o apoio de parte da direita e aplica uma economia neoliberal.
Foi um dos poucos chefes de Estado latino-americanos que viajou a Washington para a posse no segundo mandato do presidente americano, Donald Trump.
Noboa tentou ser vegetariano, coleciona pimentas e é apaixonado pelos carros e pelos cavalos, segundo sua equipe de imprensa.
Sua esposa é Lavinia Valbonesi, uma influenciadora do mundo da nutrição, com quem teve dois de seus três filhos.
- González, a revanche do correísmo -
Ciclista, maratonista e amante das tartarugas e dos cães, Luisa González volta a disputar a Presidência sob a sombra de Rafael Correa, o ex-presidente socialista que divide o país.
O lema de González é "justiça social e linha-dura com quem semeia a violência" no Equador, onde máfias travam uma disputa sangrenta pelo controle do narcotráfico.
Com discursos apaixonados, González se mostra confortável na arena pública e apela às mulheres para se tornar a primeira mulher presidente eleita do Equador.
"É uma mulher cheia de amor, amor por sua pátria, amor por todas as pessoas que sofrem", comentou à AFP sua mãe, Ligia Alcívar, em Canuto, onde a candidata cresceu.
Ela carrega o peso das críticas ao governo Correa, a quem os detratores acusam de ter mantido alianças com as máfias.
"Vamos reviver o Equador", repete como um mantra.
González é mãe de um jovem de 31 anos e um menino de 11, e diz que tem outros dois "filhos": seus cães Wanda e Bruno. Foi congressista antes de lançar sua primeira candidatura presidencial, em 2023, quando venceu o primeiro turno (34%) seguida por Noboa (23%).
Com mestrado em gestão e economia, esta advogada admite ser "controladora" e que há anos não tem um companheiro. "Tenho uma família que me absorve e o trabalho é a minha paixão", enfatiza.
O.Ortiz--AT