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Eurodeputados buscam voz unificada para responder a Musk e a Trump
O Parlamento Europeu iniciou nesta terça-feira (21) uma difícil sessão para discutir uma forma de enfrentar o retorno de Donald Trump à Casa Branca e os ataques de seu aliado Elon Musk.
A sessão acontece um dia após Trump assumir a presidência dos Estados Unidos, levantando a necessidade da União Europeia de proteger seus interesses. Ao mesmo tempo, o bloco europeu está claramente tentando evitar confrontos com o novo presidente dos EUA.
Nas últimas semanas, o bilionário Musk lançou ataques acalorados à UE por meio de sua rede social X, investigada pelo bloco por suspeita de manipulação de algoritmos para impulsionar a extrema direita.
Esses ataques foram a gota d'água para os parlamentares, que pediram à Comissão Europeia, braço executivo da UE, que opinasse sobre a situação.
Até agora, o bloco reagiu com extrema cautela às provocações de Musk e Trump, mas a Comissão está pressionada a apresentar algum tipo de resposta.
Trump chegou a insistir em anexar a Groenlândia, território administrado pela Dinamarca (país da UE), declaração que ficou sem resposta de Bruxelas.
Na semana passada, Musk teve uma conversa ao vivo na rede X com o líder de um partido alemão de extrema direita, que o apoiava publicamente.
A eurodeputada liberal francesa Marie-Pierre Vedrenne observou que "compartilhamos muitas coisas com os americanos, mas, ao mesmo tempo, não devemos ser ingênuos".
"Não devemos permitir que Trump ou Musk ditem nossas ações", disse.
- Farejar o medo -
A eurodeputada social-democrata espanhola Laura Ballarín lamentou o silêncio de Bruxelas e lembrou que "quando os animais farejam o medo, atacam com mais ferocidade".
Nesse cenário, os eurodeputados buscam uma posição unificada, apesar de suas divisões óbvias e da falta de poder real do legislativo europeu em questões de política externa.
Musk, no entanto, tem admiradores leais entre os eurodeputados, como o cipriota Phidias Panayiotou, que tem uma foto com o magnata entre seus bens mais valiosos.
O deputado espanhol de extrema direita Alvise Pérez, descrito como um "mini Musk" por um de seus colegas, é outro admirador do magnata.
Enquanto isso, o esloveno Branko Grims já propôs o nome de Musk como candidato ao Prêmio Nobel da Paz e considera o empreendedor um herói da "liberdade de expressão".
O principal apoio a Musk vem do bloco de extrema direita, com cerca de 187 eurodeputados, e o nome do bilionário já havia sido cogitado como candidato ao Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento.
Além da proximidade entre Musk e Trump, o principal ponto de concordância dos eurodeputados de extrema direita é o confronto entre o proprietário da rede X e a UE devido à Lei de Serviços Digitais (DSA, Digital Services Act).
Esses parlamentares rejeitam os apelos para que a Comissão aplique a DSA, argumentando, como Musk, que a lei equivale à censura.
O espanhol Alonso De Mendoza, porta-voz de um dos blocos de extrema direita, disse que "estamos acostumados a ver esse tipo de censura na China ou em Cuba".
"É realmente preocupante ver isso acontecendo agora na Europa", insistiu.
K.Hill--AT