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Trump ameaça recuperar Canal do Panamá e rebatizar Golfo do México
"Demos o Canal ao Panamá e vamos recuperá-lo", prometeu nesta segunda-feira Donald Trump em seu discurso de posse como 47º presidente dos Estados Unidos, referindo-se à via interoceânica que está no seu foco desde a campanha eleitoral.
O republicano afirmou que os Estados Unidos voltarão a ser "respeitados" no mundo, um objetivo que pretende alcançar com ações específicas, como recuperar o controle do Canal do Panamá e rebatizar o Golfo do México de "Golfo da América".
Embora tenha se apresentado como um presidente que vai ser lembrado por ter sido um “pacificador e unificador”, Trump foi ameaçador ao prometer que vai “recuperar” o controle do canal interoceânico, que os Estados Unidos transferiram ao país centro-americano em 1999.
"O propósito do nosso acordo e o espírito do nosso tratado foram totalmente violados. Os navios americanos estão sendo severamente sobretaxados e não estão sendo tratados de forma justa, inclusive a Marinha. Fomos muito maltratados com esse presente tolo, que nunca deveria ter sido dado. A promessa que o Panamá nos fez não foi cumprida”, criticou Trump, em seu discurso de posse.
“A China está operando o Canal do Panamá, e nós não o demos à China", ressaltou o republicano, que não descartou nas últimas semanas o uso da força militar para tomar o controle da via interoceânica.
Minutos depois, o presidente panamenho, José Raúl Mulino, criticou no X as palavras de Trump, e ressaltou que "o Canal é e continuará sendo do Panamá".
Na Cidade do Panamá, manifestantes queimaram hoje bandeiras dos Estados Unidos em frente à embaixada americana, aos gritos de que o Canal "não está à venda".
A promessa polêmica de Trump remonta à campanha que o levou à Presidência, em que ele criticou insistentemente o acordo de 1977, que resultou na transferência do controle do canal, construído pelos Estados Unidos em 1914, para o Panamá, há 25 anos.
O secretário de Estado designado, Marco Rubio, havia alertado na semana passada, durante sua audiência de confirmação no Senado americano, que a influência da China poderia fechar o Canal do Panamá para os Estados Unidos em caso de crise.
- 'Golfo da América' -
"Em breve, mudaremos o nome do Golfo do México para Golfo da América”, também disse Trump, que já havia ameaçado fazê-lo, provocando dias atrás a reação da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que respondeu que os Estados Unidos deveriam se chamar “América mexicana”.
Já em tom mais conciliador, o republicano mostrou-se como um líder pela paz, um gesto aprovado pelos democratas presentes. "Mediremos nosso sucesso não apenas pelas batalhas que vencermos, mas também pelas guerras que terminarmos, e, talvez o mais importante, pelas guerras das quais nunca participarmos", disse, aplaudido pelo presidente em fim de mandato, Joe Biden.
R.Garcia--AT