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Netanyahu promete trazer de volta "todos os reféns" durante trégua em Gaza
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu neste sábado (18) trazer de volta "todos os reféns" mantidos pelo Hamas em Gaza, na véspera da entrada em vigor de uma trégua entre Israel e o movimento islamista palestino, após 15 meses de guerra.
É "um cessar-fogo provisório" e "se for necessário, nos reservamos o direito de retomar a guerra com apoio americano", e "com mais força", afirmou Netanyahu em um discurso televisionado.
A trégua deve entrar em vigor no domingo às 08h30 (03h30 em Brasília), um dia antes da posse do republicano Donald Trump como presidente americano, informou o Catar, que mediou o acordo juntamente com o Egito e os Estados Unidos.
"Como prometi, mudamos a face do Oriente Médio e, como resultado, o Hamas segue derrotado e isolado", declarou Netanyahu, que também reiterou a promessa de resgatar "todos os reféns".
No ataque de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, comandos do Hamas capturaram 251 pessoas no sul de Israel, das quais 94 continuam retidas em Gaza, incluindo 34 que o exército israelense declarou como mortas.
O acordo de cessar-fogo inclui três fases. Na primeira, com duração de seis semanas, os combates devem cessar, e 33 reféns israelenses serão libertados.
Israel, em troca, libertará 737 prisioneiros palestinos, segundo o Ministério da Justiça israelense. O Egito informou que "mais de 1.890 prisioneiros palestinos" serão soltos nesta primeira fase.
O acordo, anunciado na quarta-feira pelos mediadores, busca colocar "um fim definitivo à guerra" que devastou o território palestino, destacou o Catar. Também deve permitir a entrada em massa de ajuda humanitária em Gaza, governada pelo Hamas desde 2007.
Desde o início da guerra, apenas uma trégua havia sido alcançada, com duração de uma semana, no final de novembro de 2023. Naquela ocasião, 105 reféns israelenses foram trocados por 240 prisioneiros palestinos.
- "Momento que estávamos esperando" -
O governo israelense deu o aval para o acordo na madrugada deste sábado, após a aprovação pelo Hamas, considerado uma organização "terrorista" por Israel, Estados Unidos e União Europeia.
O Executivo israelense anunciou que alguns reféns seriam libertados no próprio domingo, mas sem especificar o número. Netanyahu exigiu receber a lista dos reféns que seriam libertados naquele dia antes de proceder à primeira troca de prisioneiros.
Um funcionário militar informou que a libertação ocorrerá em três pontos da fronteira de Israel com Gaza, onde os reféns serão atendidos por médicos e, em seguida, transferidos para hospitais.
Segundo fontes próximas ao Hamas, o primeiro grupo de reféns libertados incluirá três mulheres israelenses.
Por sua vez, Israel elaborou uma lista de 95 presos palestinos que poderiam ser libertados já no domingo, em sua maioria mulheres e menores de idade presos após o dia 7 de outubro.
Entre os prisioneiros palestinos incluídos no acordo está Zakaria al Zubeidi, ex-líder das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, o braço armado do partido Fatah, liderado pelo presidente Mahmud Abbas.
Entre os 33 reféns que serão libertados na primeira fase estão dois franco-israelenses, Ofer Kalderon, de 54 anos, e Ohad Yahalomi, de 50, segundo informou o governo francês.
"É o momento que estávamos esperando. Espero ver meu avô voltar para casa, de pé, vivo", disse Daniel Lifshitz, neto de Oded Lifshitz, de 84 anos, sequestrado no kibutz de Nir Oz.
O novo acordo, selado após três meses de negociações indiretas, também prevê "a entrada de 600 caminhões diários na Faixa, dos quais 50 de combustível", indicou o ministro das Relações Exteriores egípcio, Badr Abdelatty.
"Israel não impedirá que a ajuda humanitária entre" em Gaza, garantiu o secretário-geral da ONU, António Guterres, admitindo que a distribuição dessa ajuda pelo território palestino será "complexa".
Neste sábado, Trump declarou à emissora NBC que conversou com Netanyahu e lhe disse que a guerra "precisa acabar". "Queremos que termine, mas devemos continuar fazendo o que for preciso", indicou.
- Bombardeios continuam -
Na Faixa de Gaza, devastada pelos bombardeios aéreos israelenses e pela ofensiva terrestre em retaliação ao ataque de 7 de outubro, os deslocados — a grande maioria dos cerca de 2,4 milhões de palestinos — se preparam para voltar para suas casas.
"Vou retirar os escombros da casa e montar minha barraca lá", disse Umm Khalil Bakr, que fugiu da Cidade de Gaza para Nuseirat. "Sabemos que fará frio e que não teremos cobertores para dormir, mas o importante é voltar para nossa terra".
Do lado israelense, o ataque de 7 de outubro deixou 1.210 mortos, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais.
Na ofensiva aérea e terrestre de Israel em Gaza, morreram pelo menos 46.899 pessoas, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas considerados confiáveis pela ONU.
Além da libertação de reféns, a primeira fase do acordo inclui, segundo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, "um cessar-fogo total", a retirada israelense das áreas densamente povoadas de Gaza e um aumento da ajuda humanitária.
Durante a primeira fase, serão negociadas as modalidades da segunda, que deverá permitir a libertação dos últimos reféns, antes da terceira e última fase, dedicada à reconstrução de Gaza e à devolução dos corpos dos reféns mortos em cativeiro.
O.Brown--AT