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ONG Save the Children International fecha as portas na Nicarágua
O governo de Daniel Ortega anunciou nesta quarta-feira (8) o fechamento da Save the Children International na Nicarágua, em meio a uma sequência de fechamentos de ONGs e a um aumento do controle da cooperação estrangeira no país.
A Save the Children International, que atua em mais de 100 países na defesa dos direitos das crianças, solicitou a sua "dissolução voluntária" por ter concluído sua "carteira de projetos na Nicarágua", segundo decretos publicados no diário oficial La Gaceta.
Cerca de 5.600 ONGs tiveram que encerrar suas operações na Nicarágua desde os protestos de 2018 contra o governo, que deixaram mais de 300 mortos, segundo a ONU.
Consultada pela AFP em Londres, onde fica a sede da organização, a Save the Children International informou ter concordado com a dissolução "devido, principalmente, à insuficiência de fundos para garantir a continuidade dos programas" na Nicarágua.
"Os desafios financeiros atuais nos impedem de continuar com nossa programação de forma eficaz e sustentável", argumentou a ONG, observando que atuou por mais de 50 anos na Nicarágua, em programas de educação, saúde e outros.
Segundo a resolução publicada no diário oficial, a Save the Children International estava inscrita desde dezembro de 2011 e pediu a sua dissolução em dezembro. Não está claro se ela estava registrada antes de outra forma.
O governo Ortega aprovou em novembro passado uma lei para monitorar e regular o trabalho no país de órgãos, agências de cooperação e missões diplomáticas, aumentando seu controle sobre as entidades internacionais.
- Endurecimento -
Em agosto de 2024, o governo Ortega anunciou o fechamento da Save the Children Canada, organização que recebia fundos daquele país e que desenvolvia projetos na Nicarágua desde 2004.
Assim como a Save the Children International, outras ONGs, várias delas religiosas, pediram naquela ocasião a sua "dissolução voluntária", segundo o La Gaceta.
Do total de ONGs fechadas desde 2008, cerca de 1.250 são religiosas, segundo dados da organização no exílio Colectivo Nicaragua Nunca Más.
Outras quatro organizações foram fechadas nesta quarta-feira, segundo a resolução por "descumprimentos das leis" que regulam as organizações sem fins lucrativos e não governamentais, recentemente reforçadas para obrigá-las a trabalhar em parceria com o Estado.
Ortega e sua mulher, a vice-presidente Rosario Murillo, alegam que as ONGs e a Igreja Católica apoiaram os protestos de 2018, que eles consideram uma tentativa de golpe patrocinada por Washington.
A.Taylor--AT