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Hamas acusa Israel de invadir hospital em Gaza e de bombardeios mortais
O grupo islamita palestino Hamas acusou o Exército israelense, nesta sexta-feira (25), de ter invadido o último hospital em funcionamento no norte da Faixa de Gaza e de lançar novos bombardeios, que deixaram 32 mortos.
Segundo a Defesa Civil do território palestino, drones israelenses mataram pelo menos 12 pessoas que aguardavam ajuda humanitária no oeste de Gaza. O serviço havia informado antes que 20 pessoas haviam morrido em ataques israelenses em Khan Yunis, no sul. O Exército israelense não comentou essas informações.
Após mais de um ano de conflito com o Hamas, Israel lançou uma operação no devastado território em 6 de outubro, informando que havia detectado "a presença de terroristas e sua infraestrutura" no entorno de Jabalia.
"As forças israelenses tomaram de assalto o hospital Kamal Adwan e estão no local", denunciou o Ministério da Saúde do Hamas. As forças estão "retendo centenas de pacientes, funcionários e pessoas deslocadas" refugiadas no complexo, acrescentou.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou preocupação por ter perdido o contato com o hospital.
"As políticas e práticas do governo israelense no norte de Gaza correm o risco de esvaziar a região de todos os palestinos. Enfrentamos o que poderiam ser crimes abomináveis, incluindo possíveis crimes contra a humanidade", advertiu o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.
O Exército israelense anunciou a morte de três soldados nessa área, elevando a 361 suas baixas desde que entrou em Gaza, no fim de outubro de 2023.
- Perspectiva de negociações -
A guerra em Gaza foi desencadeada pelo ataque sem precedentes de milicianos islamitas palestinos no sul de Israel em 7 de outubro de 2023. Em virtude deste ataque, 1.206 pessoas morreram, a maioria civis, e 251 foram feitas reféns, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais israelenses.
Em resposta ao ataque, Israel lançou uma ofensiva contra o Hamas em Gaza, que matou pelo menos 42.847 palestinos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do território, considerados confiáveis pela ONU.
Após a morte do dirigente do Hamas, Yahya Sinwar, assassinado por soldados israelenses em 16 de outubro, em Gaza, surgiram indícios de uma possibilidade de novas negociações indiretas para um cessar-fogo.
O chefe do Mossad - serviço de Inteligência externa israelense -, David Barnea, vai se reuniu no domingo, no Catar, com seu colega da CIA - agência de Inteligência americana -, Bill Burns, e com o primeiro-ministro catari.
O Hamas se mostrou disposto "ao cessar das hostilidades", condicionado ao "compromisso" de Israel com um cessar-fogo, sua "retirada" de Gaza e um acordo de troca de reféns israelenses por presos palestinos. Essas condições foram rejeitadas por Israel em negociações indiretas anteriores, todas infrutíferas, sob a égide de Catar, Estados Unidos e Egito.
- 'Corrida contra o tempo' no Líbano -
Após quase um ano de confrontos transfronteiriços entre Israel e o movimento islamista libanês Hezbollah, aliado do Hamas, o exército israelense intensificou seus bombardeios no Líbano em 23 de setembro e uma semana depois lançou uma ofensiva terrestre.
O objetivo, segundo as autoridades israelenses, é permitir a volta ao norte do país de aproximadamente 60.000 deslocados pelo disparo de foguetes do Hezbollah.
O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, acusou Israel de cometer um "crime de guerra" pela morte de três jornalistas em um bombardeio.
O ataque teve como alvo uma residência onde vários jornalistas se alojavam em Hasbaya, cidade do sul do país que até agora não tinha sido atingida pela intensificação dos bombardeios israelenses.
Israel não comentou o ataque, que matou o cinegrafista Ghassan Najjar e seu técnico, Mohammad Reda, da emissora pró-iraniana Al Mayadeen, e o jornalista Wissam Qassem, do canal Al Manar, do Hezbollah.
No sul do Líbano, o exército israelense anunciou dez baixas em dois dias, elevando para 32 o número de militares israelenses mortos desde que iniciou suas operações terrestres, em 30 de setembro, segundo um balanço da AFP.
Uma salva de foguetes disparada pelo Hezbollah matou hoje duas pessoas em um shopping de uma cidade árabe no norte de Israel, anunciaram o Exército e um hospital israelense. O Hezbollah também informou que havia atacado soldados israelenses em dois setores do sul do Líbano.
O secretário de Estado americano, Antony Blinken, reuniu-se hoje em Londres com o premiê libanês, e disse que é "realmente urgente" chegar a uma "solução diplomática".
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, alertou que a comunidade internacional está em uma "corrida contra o tempo" para encontrar uma "solução política" para o conflito no Líbano e evitar uma "conflagração generalizada".
Pelo menos 1.580 pessoas morreram no Líbano desde 23 de setembro, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais. Autoridades libanesas informaram hoje que registraram a passagem de mais de 500.000 pessoas do Líbano para a Síria desde então. Segundo a ONU, o conflito já provocou o deslocamento de 800.000 pessoas.
K.Hill--AT