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Povoado palestino em choque após violenta incursão de colonos israelenses
"Vieram para incendiar, matar e destruir", afirmou, nesta sexta-feira (16), Hassan Arman no povoado da Cisjordânia ocupada onde colonos israelenses realizaram uma incursão mortal.
Os residentes palestinos de Jit, uma localidade próxima a Nablus, relatam a noite de terror que viveram quando dezenas de colonos invadiram o local, queimando casas e automóveis e atirando pedras ou coquetéis molotov.
Segundo a Autoridade Palestina, que administra parcialmente a Cisjordânia, um homem de 23 anos morreu vítima de disparos e outro ficou ferido.
"Nunca vi algo assim", comenta Arman, enquanto inspeciona seu carro queimado.
A poucos metros, Muawiya al Sada mostra o que restou de sua sala. As persianas têm marcas das garrafas incendiárias que destruíram os vidros e reduziram a cinzas seu sofá.
"Primeiro incendiaram a casa ao lado, depois vieram aqui, acenderam coquetéis molotov e os jogaram dentro", relata Sada à AFPTV.
O Exército israelense indicou que "dezenas" de colonos participaram desse "distúrbio violento" e que entregou um deles à polícia, após ter "evacuado" o grupo.
Arman os viu chegar. "Cerca de cem colonos surgiram, todos vestidos iguais, com facas e armas de fogo", conta.
"Queimaram uma casa e depois se dirigiram para a nossa. Queimaram outras casas também. Depois ouvimos que um jovem morreu baleado por eles", acrescenta.
"O Exército (israelense) chegou depois", aponta Sada.
Para a Autoridade Palestina, trata-se de "terrorismo de Estado organizado".
A Comissão de Resistência ao Muro e à Colonização de Jit indica que "quatro casas e seis carros foram incendiados" e acusa o Exército israelense de "proteger os colonos e atirar balas, granadas de efeito moral e gases lacrimogêneos contra os habitantes do povoado".
- Colonização israelense -
A violência na Cisjordânia, um território palestino ocupado por Israel desde 1967, aumentou desde o início da guerra em Gaza, em 7 de outubro de 2023.
Também acelerou a criação de assentamentos israelenses nas terras ocupadas, considerados ilegais pelo direito internacional.
Em abril, a morte de um jovem pastor israelense na Cisjordânia desencadeou incursões de colonos armados em vários povoados do norte e sul do território.
Pelo menos 633 palestinos da Cisjordânia ocupada morreram nas mãos do Exército ou de colonos israelenses nesses dez meses, segundo o Ministério da Saúde da Autoridade Palestina.
Do lado israelense, 18 pessoas, incluindo soldados, perderam a vida em ataques que envolveram palestinos.
Israel distingue entre colônias legais e ilegais de acordo com sua lei.
Embora vários colonos extremistas façam parte de seu governo de extrema direita, seus líderes denunciaram várias vezes os ataques.
O presidente israelense, Isaac Herzog, qualificou o ataque a Jit como um "pogrom", um termo originalmente usado para descrever as atrocidades e massacres cometidos em comunidades judaicas na Rússia czarista.
A incursão na noite de quinta-feira foi cometida "por uma minoria extremista que prejudica a população de colonos respeitadores da lei, a colonização como um todo e a reputação de Israel no mundo em um período particularmente sensível e difícil", escreveu Herzog na rede social X.
A Casa Branca qualificou essa violência como "inaceitável".
A porta-voz do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, afirmou que se tratou de um ataque "horrendo" e pediu a cessação deste tipo de agressão.
"As forças de segurança israelenses permanecem passivas enquanto ataques acontecem. Inclusive há informes de que estão sendo distribuídas armas aos colonos. Claramente há uma responsabilidade do Estado neste aspecto", destacou.
Há vários meses, a União Europeia, os Estados Unidos e o Reino Unido já haviam anunciado sanções contra colonos israelenses.
O ministro israelense da Segurança Nacional, o colono de extrema direita Itamar Ben Gvir, multiplicou as permissões de armas para "reforçar a capacidade de autodefesa".
“Como poderiam essas gangues terroristas reunir 100 homens armados de Ben Gvir se eles não se sentissem protegidos e apoiados politicamente?", questiona o Ministério das Relações Exteriores palestino.
Y.Baker--AT