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Província fronteiriça russa declara estado de emergência por incursão de tropas ucranianas
A província russa de Kursk instaurou, nesta quarta-feira (7), o estado de emergência para lidar com uma incursão de tropas ucranianas que começou na terça-feira e provocou a evacuação de milhares de pessoas de ambos os lados da fronteira.
As forças ucranianas penetraram na terça-feira, segundo Moscou, na província de Kursk com até mil soldados, uma dezena de tanques e cerca de vinte veículos blindados.
O presidente russo, Vladimir Putin, denunciou uma "provocação em grande escala" e afirmou que "o regime de Kiev" está "disparando indiscriminadamente com vários tipos de armas, incluindo foguetes, contra edifícios civis, casas e ambulâncias".
O chefe do Estado-Maior do Exército russo, Valery Gerasimov, informou a Putin que "a penetração em profundidade do inimigo no território foi interrompida pela aviação e artilharia", em uma reunião transmitida pela televisão.
"A situação operacional segue sendo difícil nas zonas fronteiriças. Para eliminar as consequências da entrada de forças inimigas, tomei a decisão de declarar o estado de emergência na província de Kursk", anunciou na rede social Telegram o governador da província, Alexey Smirnov.
A guarda nacional russa anunciou que reforçou a proteção da central nuclear de Kursk, localizada a cerca de 60 km da Ucrânia.
O alcance dos avanços ucranianos não está claro. Segundo o canal no Telegram Rybar, próxima ao Exército russo, as tropas ucranianas tomaram vários povoados e teriam chegado ao sul de Sudzha, uma cidade de 5.500 habitantes localizada a 10 km da fronteira.
Evgeny Shestopalov, um sacerdote desta cidade, afirmou em um vídeo divulgado pela mídia russa que Sudzha estava "em chamas" e que alguns habitantes procuraram abrigo em sua igreja.
Uma emissora de televisão local divulgou imagens de edifícios destruídos, destroços e crateras provocadas por explosões no centro da cidade.
Até o momento, as autoridades ucranianas não divulgaram qualquer declaração oficial sobre esta operação.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, parabenizou as forças ucranianas por sua "valentia", mas não se referiu explicitamente à incursão. "Quanto mais pressionamos a Rússia [...] mais nos aproximamos da paz", acrescentou.
Os Estados Unidos indicaram que esperavam obter mais detalhes sobre os "objetivos" da Ucrânia, assolada há quase dois anos e meio por uma intervenção militar russa.
"Entraremos em contato com o Exército ucraniano para saber mais sobre seus objetivos", disse a porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre.
- Milhares de evacuados -
Os confrontos e bombardeios provocaram a evacuação de civis de ambos os lados da fronteira.
Na Rússia, as autoridades anunciaram que "vários milhares" de pessoas haviam abandonado as áreas fronteiriças, onde pelo menos cinco civis morreram e 28 ficaram feridos, incluindo crianças.
Na província ucraniana de Sumy, em frente à província russa de Kursk, as autoridades ordenaram a "evacuação obrigatória" de 23 localidades, uma medida que afetou 6 mil pessoas, entre elas 425 crianças, segundo o governador Volodimir Artiukh.
"A situação na província de Sumy é muito tensa" devido aos bombardeios, indicou à televisão ucraniana.
Esta incursão ocorre após meses de intensificação da ofensiva russa no leste da Ucrânia, que enfrenta uma escassez de suprimentos e efetivos e pede mais ajuda de seus aliados ocidentais.
Um especialista militar ucraniano, Sergey Zgurets, avaliou que esta operação em território russo poderia ser uma tentativa de desviar as forças russas de outros setores do front.
A geografia desta zona russa permite "realizar de forma eficaz esse tipo de ação dissuasiva contra o inimigo com um dispositivo reduzido, e isso é provavelmente o que o Exército ucraniano está fazendo", indicou à AFP.
Sem relacionar o ocorrido à incursão, uma fonte dos serviços de segurança ucranianos (SBU) declarou à AFP que um pequeno drone destruiu um helicóptero russo Mi-28 em pleno voo, um feito "sem precedentes na história da guerra".
O Exército russo afirmou ter repelido todas as incursões, mas algumas delas obrigaram Moscou a recorrer à artilharia e à aviação, como foi o caso na terça-feira.
- Ataques com drones -
Outras duas províncias russas na fronteira com a Ucrânia, Voronezh e Belgorod, também foram alvos nesta quarta-feira de ataques de drones ucranianos contra edifícios residenciais, segundo as autoridades locais.
Em Voronezh, capital da província de mesmo nome, os destroços de dois drones derrubados pela defesa antiaérea atingiam a fachada de um edifício e destruíram as janelas de vários apartamentos em outro, segundo o governador Alexander Gusev.
G.P.Martin--AT