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No leste da Ucrânia, a luta aérea para conservar as ruínas de Chasiv Yar
Os tijolos rangem a cada passo nas ruas fantasmagóricas de Chasiv Yar, rodeadas por prédios cobertos de vegetação. Uma nuvem de fumaça escurece o céu e um cachorro passeia pelas ruínas dessa cidade do leste da Ucrânia.
Andriy, ou "Chip", de acordo com seu nome em código, entra em um porão nessa cidade destruída na região de Donetsk.
Comandante de uma seção de assalto, a missão de Chip é coordenar os drones indispensáveis para frear o ataque russo contra Chasiv Yar, que faz temer sua queda.
As tropas de Moscou se aproximam lentamente em direção à cidade depois de conquistar em maio de 2023 a vizinha Bakhmut e do fracasso da contraofensiva ucraniana.
"Não, o inimigo não entrou na cidade", diz Andriy, de 29 anos. "A situação atual é difícil, tensa", mas conseguem "manter as posições", afirma.
Localizada em um terreno alto, Chasiv Yar é um alvo para Moscou para poder abrir caminho para Kramatorsk, o grande bastião de Kiev na bacia do Donbas que se encontra a 20 quilômetros.
Desde abril, a Rússia bombardeia sem cessar o que anteriormente era uma cidade mineira. Os militares consideram isso como a política da "terra arrasada".
Pelas ruas da localidade, a AFP conseguiu escutar as frequentes explosões da artilharia e dos drones no céu. Permanecer alguns segundos do lado de fora pode ser mortal.
Os drones da unidade de Andriy se encarregam do reconhecimento, do apoio aos ataques com drones e da logística das tropas. "É como uma partida de xadrez", resume Anvaar, chefe do centro de comando.
Para enfrentar os constantes drones, Anvar se cercou de uma equipe de especialistas cuidadosamente selecionados para pilotar e fazer reparo nas máquinas, e interferir ou piratear os artefatos inimigos.
Nessa guerra, a engenhosidade se tornou a regra de ouro. "Há homens que, se você soprar neles, eles caem. Mas eles já mataram mais russos do que o comando mais musculoso", diz o comandante. "Os 'nerds' estão salvando este país", acrescenta.
Esse é o caso de Mikhail "Sempai", 28 anos, que consegue fazer "milagres com seu computador", de acordo com Anvar.
O ex-cientista da computação, que se alistou quando a invasão russa na Ucrânia começou em fevereiro de 2022, resume seu trabalho: "É simples: encontrar e matar".
Durante o dia, ele observa as telas que transmitem imagens ao vivo, procurando o que pode ser um soldado ou equipamento russo. Quando vê um alvo, ele dá ordens aos soldados em terra e diz a eles se devem atacar com drones ou artilharia.
Anvar se lembra do momento em que um de seus pilotos se sentiu mal depois de matar pela primeira vez. "Eu disse a ele: 'não, você matou um bastardo', e então ele deu um passo para trás."
Agora, observa ele, algumas pessoas acham que matar por meio de telas é "como um jogo".
G.P.Martin--AT