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Iraniana presa ganhadora do Nobel da Paz denuncia à ONU a repressão em seu país
A iraniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, presa desde 2021 em Teerã, pediu nesta segunda-feira (18) uma "pressão sistemática e global" contra o Irã devido ao endurecimento da "repressão", denunciada à ONU por dezenas de países e ONGs.
"Dirijo-me a vocês com grande preocupação", disse Mohammadi em sua declaração, lida pela ONG Ensemble contra la Peine de Mort (Juntos contra a Pena de Morte) durante a sessão sobre o Irã no Conselho de Direitos Humanos (CDH).
Vários países denunciaram a extensão das violações dos direitos humanos no Irã, especialmente o aumento das sentenças de morte e execuções.
Um pequeno grupo de nações, incluindo Rússia, China, Cuba e Venezuela, mostraram o seu apoio à República Islâmica.
"Com a recente onda de protestos e movimentos a favor da vida e da liberdade das mulheres, a repressão se intensificou", escreveu Mohammadi, instando a ONU e as organizações de direitos humanos a "exercerem pressão sistemática e global" sobre o Irã.
Narges Mohammadi, presa desde novembro de 2021, foi repetidamente condenada e presa ao longo dos últimos 25 anos pelo seu compromisso contra o uso obrigatório do véu para as mulheres e a pena de morte.
"Estou muito preocupado com as execuções em curso e com o aumento das penas de morte [...]. Pelo menos 834 pessoas foram executadas em 2023, ou seja, um aumento de 43% em relação a 2022", afirmou o relator especial Javaid Rehman, no início das sessões sobre o Irã.
O embaixador francês na instituição, Jérôme Bonnafont, especificou que "16 das 24 mulheres executadas no mundo em 2022 foram no Irã e pelo menos 22 mulheres foram executadas no Irã em 2023, o número mais alto desde 2013".
Além de denunciar atos de tortura e violência sexual para forçar confissões, a embaixadora dos Estados Unidos, Michèle Taylor, apontou os maus-tratos às vozes críticas na República Islâmica.
O Irã "continua intimidando, maltratando e prendendo ativistas de direitos humanos, jornalistas, advogados, membros de minorias religiosas, personalidades culturais e dissidentes políticos", afirmou, concordando com outras delegações, como as da União Europeia, do Reino Unido e da Argentina.
Perante estas duras críticas, a representante iraniana, Somayeh Karimdoost, disse estar "profundamente preocupada com a linguagem inflamatória e provocativa" usada pela delegação dos Estados Unidos.
No seu discurso de resposta ao discurso do relator especial, Karimdoost afirmou que o seu "relatório não era fatual nem profissional, muito menos justo e equilibrado".
E.Rodriguez--AT