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Parlamento da Venezuela elabora proposta de data para eleições presidenciais
O Parlamento venezuelano, controlado pelo chavismo no poder, iniciou, nesta segunda-feira (5), um processo de consulta entre dirigentes políticos e a sociedade civil para elaborar uma proposta de cronograma para as eleições presidenciais, que será entregue à autoridade competente para convocar o pleito.
Em outubro, governo e oposição assinaram um acordo para que as eleições sejam realizadas no segundo semestre do ano com observação da União Europeia.
As eleições na Venezuela são convocadas pela autoridade eleitoral, acusada pela oposição de servir ao chavismo, mas "é extremamente sadio e fortalece o processo democrático da Venezuela que partidos políticos, que as pré-candidatas e pré-candidatos possam marcar posição, possam emitir opinião", disse Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional.
"E na última instância possamos, entre todas e entre todos, construir um cronograma, um calendário eleitoral que sirva de sugestão ao Conselho Nacional Eleitoral", acrescentou.
Este processo de consulta - que não tem um lapso específico de tempo - foi convocado depois de os Estados Unidos decidirem restabelecer sanções ao petróleo e gás da Venezuela, que tinham sido suspensas após o acordo sobre as eleições assinado em Barbados com mediação da Noruega. Rodríguez liderou a delegação do governo.
A Casa Branca tomou essa medida em resposta à decisão da Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, também de viés governista, de manter a inabilitação política por 15 anos contra María Corina Machado, que arrasou na votação interna da oposição para ser candidata nas eleições deste ano.
Machado descartou participar da consulta iniciada pelo Parlamento, que ela tachou de "manobra" para "uma via eleitoral fraudulenta".
Especialistas concordam em que o chavismo quer realizar eleições o quanto antes, aproveitando a situação de inelegibilidade de Machado. O presidente Nicolás Maduro, por sua vez, aparece como candidato natural à reeleição.
Forças dissidentes da oposição, tachadas de colaboracionistas, falam de eleições entre maio e setembro. A posse será em janeiro de 2025.
A Ação Democrática, cujo controle foi entregue pela Justiça a uma diretoria alternativa, propôs, por exemplo, o dia da independência da Venezuela, em 5 de julho. "Quando o império norte-americano e outros mais querem enfiar suas mãos no destino e nas decisões da Venezuela, façamos uma homenagem à nossa independência, vamos dizer aos Estados Unidos e ao mundo inteiro que nós somos independentes", disse à AFP o secretário-geral de fato do partido, Bernabé Gutiérrez.
Ch.P.Lewis--AT