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Huthis do Iêmen prometem represálias por bombardeios de EUA e Reino Unido
Os rebeldes huthis prometeram neste domingo (4) que adotarão represálias aos bombardeios americanos e britânicos contra dezenas de alvos no Iêmen, realizados após ataques desses insurgentes pró-Irã contra navios no Mar Vermelho.
Os bombardeamentos seguem-se a uma série de ataques dos EUA na Síria e no Iraque contra grupos pró-Irão, em resposta a um ataque a uma base militar dos EUA na Jordânia, em 28 de Janeiro, que deixou três soldados mortos.
Esta é a terceira operação conjunta EUA-Reino Unido contra os huthis no Iêmen. As forças americanas também bombardearam, por sua conta, alvos rebeldes no país, em guerra desde 2014.
Apesar desses ataques, os huthis continuaram seus assaltos no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, sob o pretexto de atacar navios ligados a Israel "em solidariedade" com os palestinos em Gaza, devastada pela guerra entre Israel e o movimento islamista Hamas.
Os novos ataques "não quebrarão" o "apoio dos huthis ao povo palestino que resiste em Gaza e não ficarão sem resposta e impunes", advertiu Yahya Saree, porta-voz militar dos huthis.
Sem mencionar vítimas, o porta-voz falou de 48 bombardeios "nas últimas horas" em seis províncias: 13 deles na capital do país, Sanaa, e arredores, e nove na região de Hodeida, sob controle rebelde.
Hoje, o Irã "condenou firmemente" os ataques, uma estratégia que, segundo Teerã, "contradiz" o desejo de Washington de "não querer uma extensão do conflito" no Oriente Médio.
O Hamas denunciou, por sua vez, uma "escalada" que ameaça a estabilidade da região.
"Washington e a ocupação sionista têm total responsabilidade pelas repercussões" desses ataques, acrescentou.
- "Escalada com escalada" -
"Ou há paz para nós, Palestina e Gaza, ou não há paz e segurança para vocês na nossa região", alertou no sábado outro porta-voz dos huthis, Nasr al Din Amer.
"Responderemos a escalada com escalada", frisou.
A guerra em Gaza começou após um ataque sem precedentes do Hamas a Israel em 7 de outubro. O conflito acabou se espalhando para além de suas fronteiras.
As operações de sábado miraram em 36 alvos rebeldes "em 13 locais no Iêmen, em resposta aos contínuos ataques huthis ao tráfego marítimo internacional e comercial, assim como aos navios de guerra que transitavam pelo Mar Vermelho", justificou um comunicado conjunto de Estados Unidos, Reino Unido e outros países que apoiaram a iniciativa.
"Arsenais profundamente enterrados, sistemas e lançadores de mísseis, sistemas de defesa antiaérea e radares dos huthis" foram atacados, acrescenta o texto.
Os huthis começaram a atacar o tráfego marítimo no Mar Vermelho em novembro. E designaram interesses americanos e britânicos como alvos legítimos após os bombardeios por parte desses dois países.
O secretário americano da Defesa, Lloyd Austin, declarou que a operação de sábado tinha como objetivo "degradar ainda mais as capacidades da milícia dos huthis, apoiada pelo Irã, de realizar ataques desestabilizadores".
Hoje, os Estados Unidos anunciaram que atacaram um míssil antinavio dos huthis que estava "pronto para ser lançado contra navios no Mar Vermelho".
Em 28 de janeiro, um drone atacou uma base militar americana na Jordânia, matando três soldados e ferindo mais de 40. Washington atribuiu o ataque a grupos pró-Irã.
Os Estados Unidos responderam na sexta-feira, bombardeando alvos ligados ao Irã no Iraque e na Síria.
A pedido da Rússia, que acusou Washington de "semear o caos" na região, o Conselho de Segurança da ONU se reunirá em caráter de urgência na segunda-feira.
L.Adams--AT