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Procuradora da Guatemala participa de reunião com Arévalo, mas sai antecipadamente
A procuradora-geral da Guatemala, Consuelo Porras, participou, nesta segunda-feira (29), de uma reunião com o novo presidente, Bernardo Arévalo, e seu gabinete, mas saiu antecipadamente, alegando impedimentos legais, sem que tenham abordado o pedido do chefe de Estado para que renuncie.
Porras, que impulsionou uma cruzada judicial que pôs em xeque a posse de Arévalo, atendeu à segunda convocação do novo presidente, que pediu publicamente sua demissão, o que ela rejeita. Seu mandato vence em 2026.
"Me vi na necessidade de me retirar, já que se pretendia realizar a reunião no âmbito do Conselho de Ministros, que por mandato constitucional e legal estou proibida de participar", afirmou Porras em um vídeo difundido nas redes sociais após deixar a Casa Presidencial.
Ela assegurou que compareceu à convocação de Arévalo "em cumprimento à lei orgânica do Ministério Público" (Procuradoria), mas se retirou porque essa reunião interferia na "autonomia" da instituição que ela chefia.
Horas depois, em carta publicada na rede social X (antigo Twitter), a procuradora convidou o presidente para uma "reunião de trabalho" na quarta-feira da próxima semana na Procuradoria para "coordenar esforços inter-institucionais a favor das vítimas do delito".
Arévalo, cuja chegada ao poder há duas semanas gerou temores na elite tradicional do país, convocou Porras para a sessão do gabinete depois que ela se negou a se reunir com ele na quarta-feira passada.
Nesse mesmo dia, a procuradora, de 70 anos, considerada "corrupta" pelos Estados Unidos, disse que não deixaria o cargo. Arévalo não tem faculdades para removê-la.
Após a reunião do gabinete, nesta segunda, Arévalo disse, durante coletiva de imprensa, que Porras deve decidir por seu afastamento.
"O pedido de renúncia é público e notório. É de domínio público, ela o conhece e acho que está sobre a mesa de forma que é ela que define com seus atos se o aceita ou não", disse o mandatário.
O presidente afirmou, ainda, que a "visita frustrada" de Porras tinha como finalidade abordar atividades conjuntas e assinalou que avaliará "as ações legais que procedem" frente à "negativa" de Porras de participar da sessão do gabinete.
A comunidade internacional acusa Porras de "minar" a democracia na Guatemala ao colocar em risco a transição presidencial com investigações questionadas, entre elas uma que considerava nulas as eleições de 2023, vencidas por Arévalo.
Estas manobras foram qualificadas pelo presidente como uma tentativa de "golpe de Estado" para evitar que assumisse a Presidência com sua promessa de combater a corrupção, que fez soar o alarme da elite política e econômica do país.
O.Ortiz--AT