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UE pede investigação sobre agência de ajuda palestina; combates continuam em Gaza
A União Europeia pediu, nesta segunda-feira (29), uma investigação após as acusações sobre o suposto envolvimento de funcionários da agência da ONU para os refugiados palestinos no ataque a Israel que desencadeou a guerra em Gaza, onde continuam os bombardeios.
Os receios de um prolongamento do conflito ressurgiram após a morte de três soldados americanos na Jordânia em um ataque de drone, que Washington atribui a grupos apoiados pelo Irã.
Esta é a primeira vez que soldados americanos morrem no Oriente Médio desde o início do conflito entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas, que governa a Faixa de Gaza.
A agência das Nações Unidas para os refugiados palestinos (UNRWA), que fornece ajuda vital aos palestinos em Gaza, está no centro da tempestade pelo suposto envolvimento de 12 dos seus funcionários no ataque do Hamas em 7 de outubro.
A União Europeia pediu nesta segunda-feira à UNRWA que "aceite uma auditoria da Agência a ser realizada por especialistas externos independentes nomeados pela UE", disse o seu porta-voz, Eric Mamer.
A UNRWA abriu uma investigação na sexta-feira após as acusações de Israel. Vários dos países que a apoiam suspenderam temporariamente o seu financiamento, incluindo os Estados Unidos e a França, enquanto a Espanha disse que não modificará a sua relação com a agência por enquanto.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu para garantir a continuação das suas operações, essenciais para a população.
- Discussões "construtivas" -
O ataque sem precedentes do Hamas em 7 de outubro deixou cerca de 1.140 pessoas mortas em Israel, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em números israelenses.
Israel prometeu "aniquilar" o movimento islamista, que considera terrorista, tal como os Estados Unidos e a União Europeia, e lançou uma vasta operação em Gaza que deixou 26.637 mortos, a grande maioria mulheres, crianças e adolescentes, segundo o último relatório do Ministério da Saúde do Hamas.
Enquanto isso, prosseguem as negociações para uma nova trégua e a libertação dos reféns israelenses que ainda se encontram em Gaza. O chefe da Inteligência dos EUA, William Burns, reuniu-se com autoridades egípcias, israelenses e do Catar em Paris no domingo e Israel falou de discussões "construtivas".
Catar, Egito e Estados Unidos negociaram a primeira trégua de novembro, quando uma centena das cerca de 250 pessoas sequestradas em Israel em 7 de outubro foram libertadas em troca de prisioneiros palestinos.
Segundo as autoridades israelenses, 132 reféns permanecem no território palestino, incluindo 28 que acredita terem morrido.
Nesta segunda-feira, marcando 115 dias de guerra, ao menos 140 pessoas morreram em ataques noturnos em Khan Yunis, na cidade de Gaza e em outras áreas, disse o Ministério da Saúde do Hamas.
Na cidade de Khan Yunis, considerada um reduto do movimento islamista, há combates "muito violentos", segundo várias testemunhas, especialmente perto dos hospitais Nasser e Al-Amal, que abrigam milhares de refugiados que fugiram dos combates.
Por outro lado, a violência continua na Cisjordânia ocupada, onde cinco palestinos morreram por disparos israelenses nesta segunda-feira. Desde o início da guerra, mais de 360 pessoas morreram na Cisjordânia pelas forças israelenses, segundo o Ministério da Saúde palestino em Ramallah.
- Medo de uma extensão do conflito -
Mais de 1,3 milhão de habitantes de Gaza deslocados pelo conflito, segundo dados da ONU, estão concentrados em Rafah, no extremo sul do território, junto à fronteira com o Egito, por enquanto fechada.
Segundo o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, Mahmud Bassal, centenas de barracas que abrigam pessoas deslocadas foram inundadas pelas fortes chuvas nas últimas horas, agravando as suas já muito precárias condições de vida.
O receio de uma extensão regional do conflito foi agravado pela morte de três soldados americanos em um ataque de drones na Jordânia, perto da fronteira com a Síria e o Iraque. Washington atribuiu o ataque a grupos pró-iranianos e garantiu que "serão responsabilizados".
Por outro lado, ao menos sete pessoas, incluindo vários combatentes pró-iranianos, morreram nesta segunda-feira na Síria em um ataque israelense no sul de Damasco, segundo a ONG Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).
Essas facções iraquianas fazem parte daquilo que o Irã chama de Eixo de Resistência contra Israel, que inclui o Hamas, o Hezbollah libanês e vários grupos armados na Síria.
J.Gomez--AT