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China e EUA tiveram diálogo 'franco', com foco em Taiwan e Irã
A China e os Estados Unidos tiveram em Bangcoc conversas consideradas "francas e substanciais" por Pequim, focadas em questões sensíveis como Taiwan e os ataques dos rebeldes huthis do Iêmen no Mar Vermelho.
O ministro de Relações Exteriores chinês, Wang Yi, e o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, conversaram por cerca de 12 horas ao longo de dois dias, indicou neste sábado (27) uma alta funcionária da Casa Branca.
Segundo ela, o encontro deve resultar em uma ligação "durante a primavera" (do hemisfério norte, outono no Brasil) entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente americano, Joe Biden.
A China afirmou neste sábado que as discussões foram "francas e substanciais".
Do mesmo modo, a Casa Branca disse que o encontro fazia "parte dos esforços para manter linhas de comunicação abertas e gerenciar de forma responsável a competição" entre as duas potências.
Pequim e Washington travaram disputas nos últimos anos sobre questões como tecnologia, comércio, direitos humanos, o status de Taiwan e a soberania do Mar do Sul da China.
Após um período particularmente tenso no início de 2023, os dois governos mostram disposição para continuar o diálogo, mas as áreas de atrito persistem.
- Irã -
Os Estados Unidos esperam que a China use sua "influência" sobre o Irã para "impedir" os ataques dos huthis do Iêmen, apoiados por Teerã, contra navios no Mar Vermelho, afirmou a fonte americana, que pediu anonimato.
"Pequim nos diz que levantou a questão com o Irã, mas observamos o que está acontecendo na realidade, e esses ataques parecem continuar", acrescentou em uma conversa com jornalistas.
O assessor de segurança nacional dos EUA também mencionou durante a reunião com Wang Yi a "profunda preocupação" de Washington com as últimas manobras da Coreia do Norte.
Os americanos desejam conversar com o vice-ministro de Relações Exteriores da China, que visitou a Coreia do Norte, quando retornar.
- 'O maior desafio' -
O tema mais delicado continua sendo Taiwan, a ilha que a China considera parte de seu território.
Pequim acusa os Estados Unidos, que não reconhecem oficialmente Taiwan e não apoiam a independência da ilha, de serem o principal fornecedor de armas e apoiador das autoridades taiwanesas.
"O maior desafio para as relações sino-americanas é o movimento que defende a independência de Taiwan", destacou Wang Yi para Sullivan, indicou Pequim em seu comunicado.
"Os Estados Unidos devem [...] implementar concretamente seu compromisso de não apoiar a independência de Taiwan e apoiar a reunificação pacífica da China", acrescentou o ministro.
As eleições presidenciais em Taiwan, realizadas em janeiro, tensionaram ainda mais os laços entre as duas potências.
As autoridades chinesas criticaram fortemente o presidente eleito, Lai Ching-te, de um partido que tem defendido uma separação formal de Taiwan da China continental, enquanto Washington parabenizou o povo taiwanês.
Sullivan "destacou a importância de manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan", de acordo com o comunicado da Casa Branca.
Durante as conversas realizadas nesta sexta e sábado, os dois países também reafirmaram o desejo de manter um diálogo sobre inteligência artificial na primavera boreal (outono no Brasil) e saudaram os avanços na cooperação na luta contra as drogas.
P.Hernandez--AT