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Soldados israelenses travam intensos combates com Hamas no sul de Gaza
O Exército israelense travou nesta segunda-feira (22) duros combates contra o Hamas no sul de Gaza, onde as comunicações voltaram a ser cortadas. Israel está sob crescente pressão para aceitar acordos que permitam a libertação dos reféns e o fim da guerra.
Testemunhas relataram bombardeios mortais em Khan Yunis, a maior cidade do sul de Gaza, onde também foram registrados duros enfrentamentos entre soldados israelenses e combatentes islamistas do Hamas.
Mais de 120 pessoas morreram no território palestino nas últimas 24 horas, informou o Ministério da Saúde do Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde 2007.
No pátio do hospital Nasser, onde Israel afirma que altos comandantes do Hamas estão escondidos, moradores de Gaza enterraram corpos em uma vala comum, segundo a AFPTV.
"Lançaram bombas de gás contra nós, o que sufocou muitas pessoas", relatou Saadia Abu Taima, que perdeu sua neta.
Diante do acirramento dos confrontos, diversas famílias lotaram as estradas com destino a Rafah, na fronteira com o Egito, onde se amontoam milhares de deslocados.
Mais de 80% dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza foram deslocados pela guerra e enfrentam uma grave crise humanitária, segundo a ONU.
A operadora de telecomunicações Paltel indicou que os serviços em Gaza foram cortadas nesta segunda "devido à agressão em curso e em aumento", pela décima vez desde que começou o conflito.
- Solução de dois Estados? -
A guerra eclodiu após o ataque do Hamas no sul de Israel em 7 de outubro, quando os islamistas mataram cerca de 1.140 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseada em dados israelenses.
Naquele dia, os combatentes do Hamas também fizeram cerca de 250 reféns. As autoridades israelenses garantem que 132 deles seguem em Gaza, e 28 estariam mortos segundo um balanço da AFP baseado em seus dados.
Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas, classificado como "organização terrorista" por Estados Unidos, União Europeia e o próprio país.
A implacável ofensiva israelense deixa ao menos 25.295 mortos em Gaza, a maioria mulheres e menores de idade, de acordo com o Hamas.
Nesta segunda, o Exército israelense afirmou que 200 de seus soldados morreram em Gaza desde o início da operação terrestre, em 27 de outubro.
Após quase três meses de guerra, chanceleres da União Europeia se reuniram em Bruxelas com diplomatas israelenses e palestinos, e representantes de países árabes, para planejar soluções para o conflito, que aumenta as tensões na região.
Os 27 ministros das Relações Exteriores do bloco se reuniram com o chanceler israelense Yisrael Katz, e conversaram depois com Riyad al Maliki, o principal diplomata da Autoridade Palestina.
O alto representante de política externa da UE, Josep Borrell, insistiu na solução de dois Estados para o conflito.
"Paz e estabilidade não podem ser construídas apenas por meios militares. [...] Que outra solução vocês consideram? Fazer todos os palestinos partirem? Matá-los?", questionou.
A campanha militar israelense foi condenada pelas Nações Unidas e o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ignorou os apelos dos Estados Unidos, seu principal aliado, a favor de um Estado palestino.
Maliki exigiu um cessar-fogo imediato e instou o bloco a considerar sanções contra Netanyahu por "destruir as possibilidades de uma solução de dois Estados".
O ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Ayman Safadi, lembrou, por sua vez, que "o mundo inteiro" vê a solução de dois Estados como "a única saída para esta miséria".
- Familiares de reféns no Parlamento -
Israel, contudo, mostra-se inflexível.
Em um vídeo, Netanyahu garantiu no domingo que, em troca da libertação dos reféns israelenses, o Hamas exige o fim da guerra, a retirada das tropas israelenses de Gaza, a libertação dos prisioneiros palestinos e garantias de que o movimento islamista continue no poder.
"Se aceitarmos isso, nossos soldados terão caído em vão" e não haveria garantias de segurança, defendeu o premiê israelense.
Familiares e apoiadores dos reféns aumentaram a pressão nesta segunda-feira ao invadirem uma reunião da comissão parlamentar de finanças, entoando gritos de protesto e segurando cartazes.
A guerra entre Israel e Hamas também alimentou as tensões na região. Na fronteira entre Israel e Líbano acontecem trocas de tiros diárias desde o início do conflito em 7 de outubro.
Esses enfrentamentos já deixaram pelo menos 202 mortos do lado libanês, em sua maioria combatentes do movimento pró-iraniano Hezbollah, segundo um balanço da AFP.
Na madrugada desta terça-feira (noite de segunda em Brasília), Estados Unidos e Reino Unido confirmaram novos ataques contra os rebeldes huthis do Iêmen, que, desde meados de novembro, atacam o que consideram embarcações ligadas a Israel no Mar Vermelho em solidariedade aos palestinos de Gaza.
R.Lee--AT