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Liga Árabe readmite governo da Síria depois de 11 anos e 500.000 mortes
Os ministros das Relações Exteriores dos países da Liga Árabe decidiram por unanimidade neste domingo (7) reintegrar o governo da Síria à organização, mais de 11 anos após a exclusão do regime de Damasco devido à repressão de uma revolta popular, que resultou em uma guerra longa e violenta.
"As delegações do governo da República Árabe Síria voltarão a participar nas reuniões da Liga Árabe", afirma o texto aprovado por unanimidade pelos ministros em uma reunião a portas fechadas na sede da organização no Cairo.
Isolado diplomaticamente desde 2011, o presidente sírio, Bashar al Assad, saiu recentemente do status de 'persona non grata' e alguns analistas acreditam que ele poderia inclusive comparecer, em 19 de maio, à reunião de cúpula anual dos chefes de Estado da Liga Árabe na Arábia Saudita.
Isto representaria um retorno espetacular, levando em consideração que em 2013 a oposição síria chegou a ocupar a cadeira de Damasco em uma reunião da Liga Árabe no Catar.
Em novembro de 2011, 18 dos 22 países membros da Liga Árabe suspenderam a participação do governo sírio nas reuniões, o que foi celebrado pelos países ocidentais e a Turquia, mas criticado por Rússia, Irã, Iraque e Líbano.
A organização pan-árabe também adotou sanções econômicas contra a Síria e cortou as ligações aéreas com o país.
Vários países árabes apoiaram os rebeldes no início da guerra, que sucessivamente se transformou em um terreno de batalha para várias potências estrangeiras - incluindo Rússia e Irã, aliadas do governo de Assad - assim como para grupos extremistas, como o Estado Islâmico.
O conflito provocou 500.000 mortes e o deslocamento de milhões de pessoas.
- O papel da reconciliação entre Arábia e Irã -
A normalização, que era especulada há vários meses, foi favorecida pela solidariedade internacional após as consequências do terremoto de 6 de fevereiro, que deixou mais de 50.000 mortos entre a Turquia e a Síria.
Mas no plano diplomático, o grande catalisador foi a reconciliação em março entre a Arábia Saudita, grande potência regional sunita, e o Irã, potência xiita, graças à mediação da China.
Poucos dias depois, em 12 de abril, o chanceler sírio fez uma visita surpresa à Arábia Saudita, a primeira desde o início do conflito.
Fora da Liga Árabe, a Turquia, outro país que expressou grande apoio à oposição anti-Assad desde 2011, também se aproximou de Damasco, com uma reunião entre os ministros turco e sírio da Defesa no fim de 2022, em um encontro trilateral em Moscou.
Damasco aposta na plena normalização das relações com os países árabes, em particular as ricas monarquias do Golfo, que já foram aliadas da oposição a Assad. O governo sírio conta com estas nações para financiar a cara reconstrução do país, devastado por mais de 10 anos de conflito.
Com o tempo e o apoio fundamental da Rússia e do Irã, o regime de Assad conseguiu recuperar a maior parte do território perdido, embora quatro milhões de pessoas continuem vivendo em uma região do noroeste do país sob o controle de grupos rebeldes e jihadistas.
Por outro lado, de acordo com uma investigação publicada pela AFP em novembro, a Síria conseguiu manter o fluxo financeiro graças à exportação de captagon, uma droga que gerou uma indústria ilegal de mais de 10 bilhões de dólares e transformou o país em um narcoestado.
P.Smith--AT