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A antiga Copa Intercontinental, palco de batalhas memoráveis entre Europa e América do Sul
Desde meados do século passado, os campeões dos principais torneios de clubes da Europa e da América do Sul travaram batalhas memoráveis na antiga Copa Intercontinental.
Predecessora do Mundial de Clubes, que começa no próximo sábado nos Estados Unidos, a Copa Intercontinental teve duelos emocionantes desde a década de 1960 entre o vencedor da Copa dos Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões) e o vencedor da Copa Libertadores da América.
Abaixo, alguns deles:
- 1960: Real Madrid, primeiro campeão -
O mítico Real Madrid de Alfredo Di Stéfano, Ferenc Puskas e Paco Gento vinha de seu quinto título consecutivo na Copa da Europa em 1960.
Na América do Sul, o Peñarol do Uruguai se sagrava campeão da primeira edição da Libertadores.
Ambas as equipes - as melhores do Século XX em seus continentes segundo a Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol (IFFHS) - inauguraram a Copa Intercontinental com um empate em 0 a 0 diante de mais de 75 mil espectadores no estádio Centenário, em Montevidéu.
O segundo jogo, no Santiago Bernabéu, reuniu 100 mil pessoas e o Real Madrid venceu por 5 a 1, com dois gols de Puskas e um de Di Stéfano, para conquistar a primeira Copa Intercontinental.
No ano seguinte, o Peñarol seria o primeiro sul-americano a vencer a competição, depois de derrubar o Benfica de Eusébio.
- 1962 e 1963: os anos do Santos de Pelé -
O time português voltaria à Copa Intercontinental em 1962, e desta vez seria derrotado pelo Santos de Pelé, que venceu os dois jogos (3 a 2 e 5 a 2).
Um ano depois, o 'Peixe' repetiria o título, dessa vez contra o Milan de Gianni Rivera, em três partidas: derrota em Milão por 4 a 2, vitória pelo mesmo placar no jogo de volta e mais uma vitória, por 1 a 0, no jogo desempate, no Maracanã.
O Rei, lesionado, só disputou o primeiro jogo.
- 1966: Peñarol tem sua revanche -
Seis anos depois da derrota para o Real Madrid na primeira edição da Copa Intercontinental, o Peñarol conseguiu sua revanche e venceu o Real no mesmíssimo Santiago Bernabéu.
O time merengue conquistara seu sexto título europeu e os uruguaios tinham levantado sua terceira Libertadores.
Depois de perder em Montevidéu por 2 a 0, o Real Madrid precisava reverter o placar em seu estádio, mas o Peñarol, com gols de Padro Rocha e do equatoriano Alberto Spencer, até hoje o maior artilheiro da história da Libertadores (54 gols), surpreendeu o mundo ao derrubar o gigante europeu.
- 1967: Racing x Celtic na Batalha de Montevidéu -
A Copa Intercontinental de 1967 foi decidida em um terceiro jogo entre o Racing de Avellaneda e o Celtic da Escócia lembrado como a Batalha de Montevidéu.
No dia 4 de novembro, o estádio Centenário foi o palco da violenta partida em que a polícia teve que intervir várias vezes para separar os jogadores das duas equipes.
O árbitro paraguaio Rodolfo Pérez Osorio não conseguiu conter os ânimos dos atletas e acabou expulsando cinco deles, dois do Racing e três do Celtic.
A 'Academia' se tornou o primeiro clube argentino campeão intercontinental com um gol memorável do 'Chango' José Cárdenas.
- 1969: O massacre Estudiantes x Milan -
Mas o jogo mais violento da história da Copa Intercontinental foi entre Estudiantes de La Plata e Milan, em 1969, em La Bombonera.
Depois de perder por 3 a 0 em San Siro, o Estudiantes, tricampeão da Libertadores naqueles anos (1968, 1969 e 1970) e lembrado por jogar no limite do regulamento, apelou para uma violência inusitada para tentar a virada.
Apesar de perder vários jogadores lesionados, o Milan resistiu, perdeu por 2 a 1 e ficou com o título, embora não tenha conseguido comemorar em uma Bombonera que era um campo de batalha.
- Desinteresse europeu na década de 1970 -
A crescente violência, que havia chegado ao seu clímax em La Bombonera, levou os campeões europeus a perderem o interesse em continuar disputando o torneio.
De fato, só três campeões do Velho Continente o disputaram - e venceram - nos anos 1970: Feyenoord (1970), Ajax (1972) e Bayern de Munique (1976).
Tanto que o Nacional do Uruguai em 1971, o Independiente em 1973, o Boca Juniors em 1977 e o Olimpia do Paraguai em 1979 venceram os vice-campeões europeus Panathinaikos da Grécia, Juventus de Turim, Borussia Monchengladbach da Alemanha e Malmö da Suécia, respectivamente.
Em 1975 e 1978, a Intercontinental não foi disputada e em 1974 o Atlético de Madrid, como vice-campeão europeu, venceu o Independiente e obteve seu único título.
- Rumo a Tóquio -
Em fevereiro de 1981, a empresa Toyota passou a patrocinar Copa Intercontinental e levou a disputa do troféu para um jogo único no Estádio Nacional de Tóquio.
Essa primeira edição colocou frente a frente o campeão de ambos os continentes, o Nacional do Uruguai e o Nottingham Forest da Inglaterra. Os uruguaios conquistaram seu segundo título com vitória por 1 a 0.
Desde então, o Flamengo de Zico em 1981. o Peñarol em 1982, a Juventus de Michel Platini em 1985, o River Plate em 1986 e o Milan de Arrigo Sacchi em 1989 e 1990, entre outros levantaram o troféu.
Nos anos 1990, foi a vez do São Paulo de Telê Santana em 1992 e 1993 e o retorno à vitória do Real Madrid em 1998, contra o Vasco, em seu primeiro título desde 1960.
Dois anos depois, o time espanhol voltou ao Japão, mas dessa vez sofreria sua segunda derrota intercontinental: o Boca Juniors, liderado por Juan Román Riquelme e com dois gols de Martín palermo, venceu por 2 a 1.
M.O.Allen--AT