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México promete abertura de Copa do Mundo de 'paz', em meio a protestos
O México prometeu, nesta segunda-feira (8), que a abertura da Copa do Mundo ocorrerá "em paz", em meio aos protestos de professores em greve que aproveitam o evento esportivo para pressionar o governo por suas reivindicações.
Os acessos à praça central do Zócalo na Cidade do México - onde estará localizado o maior 'fan fest' do país - estão bloqueados por barreiras metálicas, observou um jornalista da AFP. Dezenas de pessoas faziam fila para passar por revistas e chegar aos estabelecimentos onde trabalham, que foram afetados pelos fechamentos.
O governo da presidente Claudia Sheinbaum mantém o diálogo aberto com um grupo dissidente do sindicato de educação, a CNTE, que exige um aumento salarial e a revogação de uma lei de aposentadorias.
Os manifestantes realizaram bloqueios de ruas e derrubaram estátuas alusivas a jogadores da competição.
O tempo está se esgotando antes do início da Copa do Mundo, que começa na quinta-feira (11), no Estádio Azteca, para onde foram convocados protestos não só de professores, mas também de familiares de pessoas desaparecidas.
"Vamos garantir (...) que a celebração da abertura da Copa do Mundo seja bem-sucedida, em paz e tranquila", disse Sheinbaum em sua habitual coletiva de imprensa matinal.
A mandatária justificou os bloqueios na praça do Zócalo como uma medida para "não cair em provocações" de reprimir as mobilizações com policiais.
O México organiza o torneio pela terceira vez, nesta ocasião de forma conjunta com Estados Unidos e Canadá.
O evento é uma ocasião propícia para "gerar pressão" contra o governo, disse à AFP Dinora Díaz, uma professora de 42 anos, em um acampamento montado pelos grevistas a poucos quarteirões do Zócalo.
- "Queremos trabalhar!" -
Em meio a barreiras com pichações de todo tipo, cerca de 50 pessoas faziam fila durante a manhã para atravessar o bloqueio.
A alguns quarteirões dali, uma centena de comerciantes protestava contra a medida que, segundo a câmara que os representa, gerou prejuízos de 642,5 milhões de pesos, cerca de 37 milhões de dólares (190 milhões de reais).
"Queremos trabalhar!", "As grades não pagam meu salário", entoavam.
Sheinbaum pediu paciência enquanto a negociação avança.
"Com a Copa do Mundo esperávamos muitas vendas, tínhamos expectativas muito altas", lamentou José Luis Leyva, de 46 anos, gerente de um restaurante.
"O acesso ao nosso restaurante está fechado, as pessoas não chegam, os turistas estão apavorados", disse Jonathan Herrera, garçom de 31 anos que protesta contra os fechamentos de vias em outra das principais avenidas, junto com colegas e comerciantes.
Em meio às mobilizações, Heather Lutz, uma turista americana de 64 anos, afirmou que, como educadora, entende os protestos. "Nenhum governo gosta que as cidades apareçam como realmente são" durante grandes eventos como a Copa do Mundo, observou.
O gabinete de Sheinbaum detalhou na coletiva de imprensa suas propostas à CNTE, desde a criação de um novo mecanismo de atribuição de vagas de trabalho até a ideia de criar uma seguradora pública que administre as aposentadorias dos professores.
O governo, no entanto, advertiu que revogar a atual lei de aposentadoria, como pede o sindicato, é inviável e implicaria um gasto equivalente a cerca de 400 bilhões de dólares, explicou Martí Batres, diretor do instituto de seguridade social para os servidores públicos.
O sindicato tem rejeitado as propostas apresentadas pelo governo, enquanto a ministra do Interior, Rosa Icela Rodríguez, fez um apelo aos grevistas para que desfaçam os bloqueios e voltem às salas de aula.
A.Taylor--AT