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Governo dos EUA impede Harvard de matricular estudantes estrangeiros
Em uma nova escalada da tensão com Harvard, o governo dos Estados Unidos retirou da universidade, nesta quinta-feira (22), o direito de matricular estudantes estrangeiros.
Em carta dirigida ao presidente de Harvard, Alan Garber, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, anunciou a "revogação com efeito imediato" da certificação do Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio (Sevis), que permite a estrangeiros estudar nos Estados Unidos.
"Harvard teve muitas oportunidades de fazer o correto. Negou-se. Perdeu a certificação do Sevis como resultado do descumprimento da lei. Que isso sirva de aviso a todas as universidades e instituições acadêmicas do país", publicou Kristi na rede social X.
A secretária acusa a universidade de "fomentar a violência, o antissemitismo" e de "se alinhar com o Partido Comunista da China em seu campus".
"A ação do governo é ilegal. Estamos totalmente comprometidos a manter a capacidade de Harvard de receber nossos estudantes e acadêmicos internacionais, que são procedentes de mais de 140 países e enriquecem a Universidade e esta nação de forma incomensurável", reagiu a instituição em comunicado enviado à AFP.
"Essa ação retaliatória ameaça prejudicar gravemente a comunidade de Harvard e o nosso país, e prejudica a missão acadêmica e de pesquisa da universidade", ressalta a nota.
No ano letivo 2024-2025, quase 6.800 dos 30 mil alunos de Harvard são estrangeiros, o que representa 27,2% dos estudantes, segundo o site ShunStudents.
O governo Trump empreende uma luta total contra as universidades do país, as quais acusa de permitir antissemitismo no campus, após as manifestações palestinas do ano passado. Também busca acabar com os programas de diversidade, destinados a abordar a marginalização das minorias.
Diferentemente de outras universidades, que acataram a política do governo republicano, Harvard o processou há um mês, por tentativa de impor mudanças em seu currículo e em suas políticas de admissão e práticas de contratação.
- 'Privilégio, não um direito' -
"Ninguém sabe" como isso afetará os alunos estrangeiros já matriculados, disse à AFP a estudante americana Alice Goyer. "Todo mundo está entrando um pouco em pânico" com essa notícia, que motivou "mensagens de um monte de amigos estrangeiros", comentou.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês) inicialmente enviou uma carta para Harvard, em 16 de abril, exigindo que a universidade disponibilizasse informações sobre as atividades dos estudantes estrangeiros nos campi, incluindo a participação em protestos.
Segundo a publicação The Harvard Crimson, a universidade apresentou parcialmente os registros disciplinares dos estudantes estrangeiros solicitados por Washington.
Na semana passada, o governo republicano anunciou um novo corte de 450 milhões de dólares (2,5 bilhões de reais) em subsídios federais, que se soma ao congelamento de outros US$ 2,2 bilhões (R$ 12,4 bilhões). No começo do mês, ele excluiu a universidade de qualquer nova ajuda federal.
Harvard é a instituição de ensino superior mais rica dos Estados Unidos. "Para as universidades, é um privilégio, não um direito, matricular estudantes estrangeiros e se beneficiar de seus pagamentos elevados de matrícula para ajudar a aumentar seus fundos bilionários", disse Kristi.
Trump descreveu Harvard recentemente como uma "instituição de extrema esquerda e antissemita", um "desastre progressista" e uma "ameaça à democracia".
O.Ortiz--AT