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Polônia denuncia 'escalada' de Moscou após ataque a trem na fronteira com Ucrânia
Polônia e Ucrânia denunciaram os bombardeios russos perto da fronteira polonesa como uma "escalada", incluindo ataques a um trem com destino a Varsóvia e perto de um posto fronteiriço. Kiev alertou que Moscou está "batendo" à porta da Europa.
Os ataques perto da fronteira do país membro da Otan ocorrem em um momento em que os aliados europeus de Kiev expressam preocupação com o aumento dos atos de sabotagem orquestrados pela Rússia em seus territórios, enquanto a guerra ultrapassa os quatro anos.
Nesse mesmo domingo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a Ucrânia deveria parar de atacar refinarias na Rússia, afirmando que "há muitos outros alvos", uma declaração que representou um golpe para Kiev.
A Ucrânia atacou refinarias de petróleo russas em retaliação, em uma tentativa de prejudicar as capacidades militares da Rússia.
Após o início da invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, Moscou continua intensificando seus ataques à infraestrutura ucraniana, ao custo de um número cada vez maior de vítimas civis no conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
A operadora ferroviária estatal da Ucrânia afirmou que duas autoridades ocidentais, incluindo o ex-primeiro-ministro Boris Johnson e o ex-diretor da CIA David Petraeus, estavam em uma estação ferroviária no oeste da Ucrânia "pouco antes" do ataque russo a um trem com destino a Varsóvia.
A Ucrânia informou que o ataque ocorreu a dois quilômetros da fronteira com a Polônia, membro da Otan.
"Eis o terror de (Vladimir) Putin, batendo diretamente às portas da UE e da Otan. Caros parceiros, os bárbaros russos estão à sua porta", disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sibiga.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, classificou o ataque como "deliberado".
Horas depois, o Ministério da Defesa russo afirmou ter atacado "infraestrutura ferroviária" no oeste da Ucrânia usada para "transportar carga militar" da Europa.
"Os ataques contra a infraestrutura ferroviária no oeste da Ucrânia, usada para transportar carga militar de países europeus, continuaram", afirmou o Ministério da Defesa russo em um comunicado.
Zelensky afirmou que Moscou havia atacado infraestruturas ferroviárias e energéticas, assim como "edifícios civis", nesta nova onda de ataques, particularmente no oeste do país, região menos visada do que as próximas às linhas de frente ou à capital.
- Polônia alerta para nova "escalada" -
Um dos drones russos atingiu a locomotiva de um trem de passageiros que liga Kiev a Varsóvia. Outro drone caiu perto de um posto de fronteira no lado ucraniano.
"Pouco antes da locomotiva ser atingida na fronteira entre Ucrânia e Polônia, um trem diplomático estava na estação de Yagodin", afirmou a operadora ferroviária ucraniana Ukrzaliznytsia em um comunicado.
"A bordo estavam, entre outros, assessores de segurança de vários Estados-membros da UE e ex-líderes europeus, incluindo o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson. O ex-diretor da CIA, David Petraeus, estava em outro trem na estação de Yagodin no momento do ataque", acrescentou a operadora.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, convocou uma reunião de emergência após esses ataques e alertou para uma intensificação da ofensiva russa na Ucrânia nas próximas semanas, que poderia afetar a Polônia.
"As próximas semanas e meses serão um período de ações muito intensas por parte da Rússia", enfatizou.
A Polônia "não pode descartar que essa escalada também afete" seu território, acrescentou o chefe de governo.
Anteriormente, o ministro das Relações Exteriores polonês, Radoslaw Sikorsky, afirmou em Kiev que "isso é uma escalada, representa mais um grande desafio para a Ucrânia" e apelou a esforços europeus redobrados "para apoiar as vítimas da agressão".
Sikorsky, em visita à capital ucraniana, citou, entre outros incidentes que ultrapassaram as fronteiras dos dois países em guerra, a descoberta de um drone explosivo no aeroporto de Leipzig, que Berlim atribuiu à Rússia no início de setembro.
Ch.Campbell--AT