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Extrema direita alemã confiante em conquistar primeiro governo regional
O partido alemão de extrema direita AfD está confiante em conquistar seu primeiro governo regional com uma vitória nas eleições do próximo domingo (6) na Saxônia-Anhalt, uma região do leste pós-comunista.
Embora o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) não tenha a garantia de que conquistará os votos necessários para governar o estado sozinho, a possibilidade de vencer as eleições na Saxônia-Anhalt aumenta a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz e representa mais um impulso para o partido anti-imigração.
Nas pesquisas no estado, a AfD tem 40% ou mais das intenções de voto, impulsionada por seu principal candidato, Ulrich Siegmund, um político de 35 anos que é aclamado como uma estrela do rock em eventos de campanha e por seus seguidores no TikTok.
Suas promessas de campanha incluem uma ofensiva imediata de "remigração e deportação" direcionada contra imigrantes sem documentos, a proibição das bandeiras arco-íris do orgulho LGBTQIA+ em escolas públicas e o fim da construção de novos parques eólicos.
O partido, simpático a Moscou, também soube explorar o sentimento de nostalgia pelos anos da Alemanha Oriental comunista e o ressentimento com a persistente disparidade de riqueza em relação ao oeste, décadas após a queda do Muro de Berlim em 1989.
Siegmund promete "fazer história" no domingo e liderar uma revolução política a partir do pequeno estado de 2,1 milhões de habitantes, que ele espera que impulsione seu partido rumo à vitória nacional em 2029.
O atual primeiro-ministro do estado, Sven Schulze, de 47 anos, do partido União Democrata Cristã (CDU), de centro-direita, liderado por Merz e que encabeça uma coalizão multipartidária, espalhou enormes faixas pelo estado com advertências aos eleitores de que "a extrema direita leva ao abismo".
Embora muitos eleitores da AfD desejem uma mudança drástica, o cenário de uma vitória do partido assusta grande parte da Alemanha, um país que se esforça para expiar a sombria história da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto.
A agência de inteligência interna da Alemanha, BfV, classifica o braço da AfD na Saxônia-Anhalt como uma organização "extremista de direita".
Em seu relatório mais recente, o BfV documenta que muitos políticos da AfD no estado "utilizam uma linguagem que demoniza os migrantes" e classificam sistematicamente os refugiados muçulmanos como criminosos, um menosprezo coletivo que "viola o princípio da dignidade humana".
- Cordão sanitário contra a extrema direita -
Todos os demais grandes partidos mantiveram até agora um "cordão sanitário" de não cooperação com a AfD, mas o pequeno partido BSW — que é de esquerda na economia, mas de direita na área de imigração — afirmou que poderia apoiar a formação de um governo da AfD.
Merz prometeu deter a ascensão da AfD com a recuperação da economia e restrições à imigração irregular, mas até o momento não teve sucesso.
"Se a AfD vencer as eleições na Saxônia-Anhalt, será uma derrota pessoal para Friedrich Merz", disse Oliver Lembcke, da Universidade do Ruhr em Bochum. "Seu objetivo era reduzir à metade o percentual de votos da AfD. Em vez disso, a AfD ultrapassou a CDU como o partido mais forte, inclusive no âmbito federal. Ele tem uma responsabilidade pessoal por este resultado".
Uma vitória nas eleições regionais, disse Lembcke, demonstraria que "a estratégia do cordão sanitário teria fracassado nas urnas, e nem Merz nem sua equipe sabem como gerenciar a situação".
- Caminho do poder -
Todas as partes concordam que a vantagem da AfD nas pesquisas é praticamente irreversível, mas saber se o partido vai conquistar maioria absoluta no Parlamento regional é mais complicado.
Tudo dependerá do resultado das legendas menores, se estas conseguirão superar a cláusula de barreira de 5% para entrar na Câmara. Se alguns ficarem de fora, então a AfD precisaria de menos de 50% dos votos para formar o governo.
O BSW — que já declarou que o "cordão sanitário" fracassou — aparece com menos de 5% nas pesquisas, mas se conseguir entrar no Parlamento poderá facilitar o caminho da AfD ao poder.
A CDU, que oscila entre 22% e 24% nas pesquisas, e outros partidos tradicionais, como os social-democratas e os Verdes, confiam em obter votos suficientes em conjunto para formar uma coalizão de governo.
"Mesmo que a AfD não chegue ao poder, a situação vai se tornar crítica na Saxônia-Anhalt", teme Anke Prellwitz, uma professora do Ensino Médio de 50 anos. "Continuará dividindo a sociedade enquanto se apresenta como vítima".
O.Gutierrez--AT