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Canadá anunciará resposta às novas tarifas de Trump
O Canadá anunciará nesta terça-feira (25) sua resposta às novas tarifas do presidente americano Donald Trump, em mais um passo na guerra comercial entre os aliados fronteiriços.
O governo canadense antecipou na segunda-feira que os ministros da Fazenda, Indústria, Trabalho e outros funcionários de alto escalão concederão uma entrevista coletiva em Ottawa para detalhar a resposta do país às novas tarifas.
Em um comunicado divulgado no fim da noite de segunda-feira, Ottawa afirmou que as autoridades "anunciarão novas medidas para proteger e apoiar os trabalhadores e as empresas do país em tempos difíceis".
Na sexta-feira, Estados Unidos e Canadá fracassaram em suas negociações para chegar a um acordo que evitasse a imposição de novas tarifas de 50% por parte do governo Trump sobre uma série de produtos canadenses.
As tarifas entraram em vigor no final de semana. São aplicadas a produtos canadenses avaliados em cerca de 20 bilhões de dólares (R$ 103 bilhões) e representam 5,5% das exportações totais do Canadá para o país vizinho.
O presidente americano afirmou na segunda-feira que pretende dobrar as tarifas de uma série de produtos do setor automotivo do Canadá a partir de 2027, em plena escalada tarifária entre os dois parceiros.
Atualmente, as tarifas sobre os automóveis são de 25% se não incluírem materiais americanos em sua fabricação, enquanto as importações de aço já têm, no geral, tarifas de 50%.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse que o Canadá vai impor aos Estados Unidos tarifas de represália, ao descartar o que considerou como um "acordo ruim".
Carney afirmou na segunda-feira que o objetivo das negociações comerciais com Washington "sempre foi conseguir o melhor acordo para os canadenses, nunca um acordo a qualquer preço ou em qualquer prazo".
Mas o premiê acrescentou que, durante as negociações, "os americanos queriam destruir nossas principais indústrias (...) por meio de condições injustas".
"Essa é uma das principais razões pelas quais dissemos não", ressaltou.
- Restrições e ameaças -
Carney afirmou que, apesar do progresso rumo a um acordo, "esse ímpeto se inverteu" no final, e enfatizou que o fortalecimento da produção interna e a diversificação do comércio externo têm sido o "Plano A desde o início".
Ele afirmou que o Canadá fortaleceu outras alianças comerciais, particularmente na Ásia e com a União Europeia.
No fim de semana, o primeiro-ministro indicou que Washington também queria impor restrições de última hora aos acordos comerciais do Canadá com outros países.
Eles também fizeram "ameaças contra a língua francesa" e a "cultura de Quebec", referindo-se à província francófona no leste do Canadá.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, atribuiu nesta segunda-feira o fracasso do acordo a "exigências irracionais de última hora" do Canadá.
Os Estados Unidos são, de longe, o maior parceiro comercial do Canadá, e as exportações canadenses para o país vizinho representam 70% do total.
As tarifas de Trump já estão afetando setores-chave da economia canadense, como as indústrias do aço e a automobilística.
O Canadá é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos em bens neste ano, atrás do México, segundo dados do Departamento do Censo.
- "Não precisamos do Canadá" -
A pesquisa acrescentou que dois em cada cinco têm algum temor em relação a seus empregos.
O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, criticou a ameaça de Trump de impor tarifas sobre os carros. "Vamos atrás dele com tudo o que temos", disse à rádio Newstalk 580 CFRA de Ottawa.
Trump atacou Doug Ford nas redes sociais e advertiu que as consequências poderiam ser "muito piores" se as autoridades não "se alinhassem".
Os Estados Unidos argumentaram que o Canadá oferece um "tratamento discriminatório" às importações do país vizinho de bebidas alcoólicas, automóveis, produtos lácteos, papel e produtos agrícolas.
Trump adiou a aplicação das tarifas em três dias na semana passada, enquanto Washington e Ottawa intensificavam as conversas em busca de um acordo.
O principal negociador canadense, Dominic LeBlanc, e sua equipe passaram horas na quinta e na sexta-feira no escritório do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em Washington. No entanto, não conseguiram chegar a um acordo.
Nesta segunda-feira, Trump afirmou que "o Canadá vem enganando os Estados Unidos da América há anos". "Nós não precisamos do Canadá, eles é que precisam de nós", disse.
Estados Unidos e Canadá ainda devem entrar em acordo sobre as revisões do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), que Trump se negou a renovar no mês passado e que ambos compartilham com o México.
As ameaças de Trump de transformar o Canadá no 51º estado dos Estados Unidos também deixam muitos canadenses irritados.
S.Jackson--AT