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Copom volta a reduzir Selic, a 14%, para conter a inflação
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira (5) sua taxa básica de juros pela quarta vez consecutiva, a dois meses das eleições de outubro, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscará a reeleição.
A taxa Selic, uma das mais altas do mundo, caiu de 14,25% para 14% ao ano, informou o Copom em comunicado.
O corte de 0,25 ponto percentual era amplamente esperado pelo mercado. Mais de uma centena de instituições financeiras consultadas pelo jornal Valor Econômico já havia previsto esse movimento.
O BC retomou, em março, um ciclo de redução dos juros, após quase dois anos de taxas elevadas.
No entanto, a instituição tem mantido uma postura cautelosa devido aos impactos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro, que pressiona para cima o preço do petróleo e reacende os temores de inflação no mundo.
Após dois dias de reunião, o Copom destacou nesta quarta-feira que o cenário externo "permanece incerto" em razão dos conflitos no Oriente Médio, o que exige "cautela" dos países emergentes diante da alta dos preços das commodities.
Em relação ao cenário interno, o órgão afirmou que, embora a inflação tenha perdido força, encontra-se "ainda acima do limite superior da meta" do Banco Central (BC).
A próxima reunião do comitê ocorrerá nos dias 15 e 16 de setembro, apenas três semanas antes das eleições de outubro.
Lula acaba de lançar sua candidatura à reeleição nas eleições presidenciais de outubro.
Desde seu retorno ao poder, em 2023, o petista vem defendendo a redução da Selic como forma de estimular a economia da maior economia da América do Sul.
Juros elevados encarecem o crédito e desestimulam o consumo, reduzindo a pressão sobre os preços, mas também os investimentos.
Taxas tão altas por um período tão prolongado "sufocam o fluxo de caixa das empresas, travando investimentos em inovação e modernização e agravando o ciclo de endividamento das famílias", afirmou, em nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
- Inflação, tema central da campanha -
O custo de vida é uma das principais preocupações dos brasileiros e desponta como um dos temas centrais da campanha eleitoral.
A inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,64% em junho, impulsionada pela queda dos preços dos alimentos e dos combustíveis.
Mesmo assim, a inflação permanece acima da meta oficial, fixada entre 1,5% e 4,5%.
O governo Lula tem buscado conter a alta dos combustíveis, especialmente da gasolina e do diesel, este último essencial para o transporte de cargas.
Os subsídios aos preços dos combustíveis nos postos, que deveriam terminar em meados de julho, foram prorrogados pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, diante da retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã.
O conflito no Oriente Médio continua provocando impactos sobre o abastecimento mundial de petróleo devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o transporte de hidrocarbonetos.
Segundo as pesquisas de opinião, Lula lidera as intenções de voto para um eventual segundo turno contra seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso.
A.Ruiz--AT