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Principal aeroporto da Venezuela retomará voos comerciais 'em breve' após terremotos
O governo da Venezuela pretende reabrir "em breve" o principal aeroporto do país para voos comerciais, após os fortes terremotos de 24 de junho que deixaram mais de 3.500 mortos e milhares de feridos.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía, que atende Caracas, fica em La Guaira, o marco zero do duplo terremoto de magnitude 7,2 e 7,5, que reduziu a escombros dezenas de edifícios residenciais.
Retroescavadeiras removem montanhas de entulho nesse estado costeiro, de onde várias equipes estrangeiras de resgate já começaram a se retirar por não encontrarem sinais de vida quase duas semanas após os tremores.
Estefany Suárez, de 31 anos, vive com seus dois filhos pequenos em uma barraca ao relento. Sua casa foi classificada como "de alto risco" no bairro de Caraballeda, um dos mais atingidos.
"Saquearam os supermercados, então eles não reabrem mais. Estão distribuindo fraldas, o que é bom", consola-se Suárez em um ponto de distribuição de doações como sabonetes, toalhas e brinquedos.
Aeronaves do Exército americano sobrevoam a região com frequência e pousam na pista do aeroporto de Maiquetía, parcialmente aberto para voos humanitários e com danos significativos em sua infraestrutura.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, informou nesta terça-feira (7), em uma mensagem no Telegram, a "ativação imediata de um plano alternativo que permitirá retomar, em breve, os voos comerciais na pista paralela" do aeroporto.
A presidente informou no sábado que estava "em contato" com alguns países que iriam "ajudar na recuperação" do aeroporto, sem dar mais detalhes.
- "Apoio" dos EUA -
Rodríguez assumiu o poder na Venezuela após a queda do presidente deposto Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em janeiro. Desde então, governa sob forte pressão de Washington, que afirma estar à frente da administração do país petrolífero.
Militares e especialistas americanos colaboram na reabertura do aeroporto para facilitar a entrega de suprimentos e equipamentos.
Em entrevista coletiva por telefone, o encarregado de negócios dos Estados Unidos, John Barrett, disse que autoridades americanas já estão em conversas com companhias aéreas do país para retomar os voos comerciais.
"Ainda há trabalho a ser feito na infraestrutura para dar suporte às operações comerciais no aeroporto", afirmou Barrett, sem estimar uma data.
O chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis Donovan, afirmou na mesma entrevista que militares americanos colaboram no "controle do tráfego aéreo" para "garantir pousos seguros", além de atuar nas operações terrestres de carga no aeroporto.
Cerca de 2 mil militares americanos foram mobilizados para a região em resposta ao desastre. Além disso, o navio USS Fort Lauderdale está atracado no porto de La Guaira para auxiliar na entrega de ajuda humanitária.
Muitos sobreviventes ficaram desabrigados ou vivem em abrigos precários montados em parques, sem perspectiva de futuro. Segundo o boletim mais recente do governo, mais de 16 mil pessoas perderam suas moradias.
As Nações Unidas estimaram perdas de 6,7 bilhões de dólares (R$ 34,65 bilhões), o equivalente a 6% do PIB do país, mergulhado há anos em uma grave crise.
O governo não informou o número de desaparecidos, embora a ONU estime que eles possam chegar a 5 mil.
W.Stewart--AT