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México e UE reduzem tarifas diante da ameaça protecionista de Trump
México e União Europeia renovaram nesta sexta-feira (22) seu acordo comercial para reduzir tarifas e diversificar seus intercâmbios comerciais, em meio à política protecionista dos Estados Unidos.
A modernização do pacto comercial em vigor desde o ano 2000 foi assinada em uma cerimônia liderada pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no México.
"Em um momento marcado por uma crescente turbulência e profundas transformações, decidimos ampliar, aprofundar e atualizar os laços de nossa Associação Estratégica", afirmaram ambas as partes em uma declaração conjunta.
A UE é o terceiro maior parceiro comercial do México, embora muito atrás dos Estados Unidos e da China.
O comércio bilateral com a UE totalizou 94,598 bilhões de dólares no ano passado, quase oito vezes menos do que o comércio com os Estados Unidos.
Em nota à imprensa, a Comissão Europeia afirma que este acordo envia um "sinal claro" de que ambas as economias estão abertas ao comércio em um momento em que "as medidas protecionistas aumentam".
Após a assinatura do acordo, Sheinbaum afirmou que o México é "estratégico" para a União Europeia e que a relação pode ser um "exemplo" de como fortalecer a economia.
A atualização deste acordo coincide com as negociações entre México, Estados Unidos e Canadá para revisar seu tratado de livre comércio, vital para a economia da América do Norte, mas duramente criticado pelo presidente Donald Trump.
O acordo com a Europa e o T-MEC "não são contraditórios, pelo contrário, fortalecem o México, fortalecem a Europa e fortalecem os Estados Unidos", afirmou Sheinbaum na entrevista coletiva após a assinatura.
O acordo permite o livre intercâmbio de numerosos produtos agroalimentares, em um momento em que ambos os atores tentam reduzir sua dependência do mercado americano.
- Futuro melhor -
Com essa modernização, México e UE reforçam seu diálogo político, criam oportunidades em áreas como comércio, investimentos e tecnologias limpas, e diversificam as cadeias de abastecimento, segundo o comunicado oficial dos europeus.
"Juntos, construiremos um futuro melhor para nossos cidadãos e para o planeta", afirmou Von der Leyen em uma declaração oficial, ao destacar que ambas as partes também unirão esforços em benefício do meio ambiente, dos direitos humanos e da igualdade de gênero.
Também foram incorporadas "disposições modernas", como propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável, e foi acordado combater atos de corrupção que afetem os investimentos e o comércio.
Entre outras medidas concretas, o México eliminará a maioria de suas tarifas sobre alimentos e produtos agrícolas europeus para que sejam mais competitivos e atraentes para o consumidor.
A atualização também facilitará o comércio de autopeças, um setor especialmente afetado pelas tarifas de Trump.
"O México quer reduzir sua dependência de seu vizinho do norte, mas também das cadeias de abastecimento asiáticas ou, mais precisamente, chinesas, e na Europa perseguimos os mesmos objetivos", disse na semana passada um funcionário da UE, sob condição de anonimato, à AFP.
O México paga quase quatro vezes menos tarifas aos Estados Unidos.
O Conselho Empresarial Mexicano de Comércio Exterior prevê que a menor taxa de impostos aduaneiros paga pelo México aos Estados Unidos e o tratado modernizado com a UE impulsionarão os investimentos do bloco.
N.Mitchell--AT