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Novo líder supremo do Irã defende que Estreito de Ormuz permaneça fechado
O aiatolá Mojtaba Khamenei pediu, nesta quinta-feira (12), que o estratégico Estreito de Ormuz permaneça fechado, em sua primeira mensagem como novo líder supremo do Irã desde o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada pelos Estados Unidos e Israel.
"A opção de bloquear o Estreito de Ormuz deve ser definitivamente utilizada", declarou Khamenei em um comunicado lido na televisão estatal.
A guerra paralisou o Estreito de Ormuz e, consequentemente, uma parte vital do tráfego global de hidrocarbonetos que passa pela região, causando "a maior interrupção" no fornecimento de petróleo da história, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).
O novo líder foi nomeado no domingo para substituir seu pai, Ali Khamenei, que foi morto no início dos ataques israelenses-americanos contra o Irã, em 28 de fevereiro. Ele ainda não apareceu em público e, segundo diversas fontes, foi ferido em um ataque.
O conflito, que começou com os bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã, prejudicou as cadeias de abastecimento de petróleo, o que danificou instalações de produção essenciais em toda a região. Agora há temores de que possa afetar os serviços financeiros britânicos e americanos.
Em seu discurso, Mojtaba Khamenei instou os Estados do Golfo a fecharem as bases militares dos Estados Unidos, que foram alvo de ataques iranianos em retaliação à campanha israelense-americana.
"Recomendo que fechem essas bases o mais rápido possível. Já devem ter percebido que a alegação de que os Estados Unidos garantem segurança e paz não passa de uma mentira", afirmou.
Apesar das consequências econômicas do conflito, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira que impedir o Irã de obter armas nucleares é mais importante do que controlar os preços do petróleo.
"Para mim, como presidente, é de muito maior interesse e importância impedir que um império do mal, o Irã, adquira armas nucleares e destrua o Oriente Médio e até mesmo o mundo", disse em sua plataforma Truth Social.
Os países do Golfo reduziram sua produção de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris por dia devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, que é efetivamente controlado por Teerã, de acordo com um relatório da AIE.
Na quarta-feira, os 32 países-membros dessa organização, entre eles os Estados Unidos, decidiram liberar um recorde de 400 milhões de barris de suas reservas estratégicas, na esperança de acalmar as preocupações em um mercado extremamente volátil desde segunda-feira.
Mesmo assim, os preços do petróleo ultrapassaram brevemente a marca de 100 dólares.
Enquanto isso, cerca de 3,2 milhões de iranianos foram deslocados dentro do próprio país desde o início da guerra em 28 de fevereiro, revelou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).
No Irã, o cotidiano continua marcado por dificuldades e pela esperança de um amanhã melhor.
"Ainda podemos fazer compras. A única exceção foi o dia em que atacaram os depósitos de petróleo. Com a chuva negra, a atmosfera parecia apocalíptica", disse uma mulher de 39 anos à AFP, em Teerã.
- Explosões no Golfo -
Explosões foram ouvidas no centro de Dubai nesta quinta-feira, e o Bahrein relatou um ataque iraniano a seus depósitos de hidrocarbonetos na noite anterior.
Em Omã, instalações de armazenamento de combustível no porto de Salalah também pegaram fogo no dia anterior após serem atingidas por drones, segundo um vídeo publicado pela AFP, enquanto a Arábia Saudita relatou outro ataque com drones ao campo petrolífero de Shaybah, no leste do país.
Um ataque a dois petroleiros na costa do Iraque, cuja origem ainda é desconhecida, deixou pelo menos um morto e vários desaparecidos, informou a autoridade portuária.
- "Guerra de desgaste" -
No Irã, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica, declarou estar pronta para lançar uma campanha prolongada de bombardeios contra interesses ocidentais na região, a fim de forçar os Estados Unidos a se retirarem.
Ali Fadavi, um representante dessa força de elite, ameaçou com uma "guerra de desgaste" capaz de "destruir toda a economia americana" e "global".
Trump apresenta as perturbações econômicas como temporárias e prometeu que uma "grande segurança" reinará em breve na região.
O secretário de Energia americano, Chris Wright, reconheceu nesta quinta-feira que as forças armadas dos EUA "não estão prontas" no momento para escoltar petroleiros no Estreito de Ormuz, porque todos os seus recursos estão mobilizados para atacar o Irã.
A duração dos confrontos parece incerta. Israel não estabeleceu "nenhum prazo", afirmou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
Em outra frente, Israel continuou seus ataques no Líbano contra o movimento pró-iraniano Hezbollah com intensos bombardeios no sul de Beirute na noite de quarta-feira.
As autoridades libanesas registraram mais de 800 mil deslocados e quase 700 mortes no país desde 2 de março, segundo relatos de autoridades locais.
O exército israelense também lançou uma nova onda de ataques em "larga escala" contra Teerã, depois que a república islâmica indicou ter realizado uma operação conjunta com o Hezbollah contra cerca de 50 alvos em seu território.
burs/lgo/maj/arm/pc/an/aa-jc
A.O.Scott--AT