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Petróleo fecha em alta apesar da liberação de reservas estratégicas
Os preços do petróleo subiram e as bolsas caíram nesta quarta-feira (11), apesar de a Agência Internacional de Energia (AIE) ter anunciado um desbloqueio recorde de reservas estratégicas de óleo bruto para compensar os problemas de fornecimento do Oriente Médio.
"Os países da AIE vão disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo ao mercado para compensar a interrupção no fornecimento causada pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz", afirmou em vídeo o diretor-executivo da agência, Fatih Birol. "Decidiram, por unanimidade, lançar a maior liberação de reservas de petróleo de emergência da história da nossa agência."
"Esta é uma ação em larga escala destinada a mitigar os efeitos imediatos da perturbação dos mercados. Mas, para sermos claros, o fator mais importante para o retorno a fluxos estáveis de petróleo e gás é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz", ressaltou Birol.
Segundo o executivo, as reservas emergenciais serão disponibilizadas ao mercado de acordo com um cronograma adaptado à situação nacional de cada membro, e serão complementadas por medidas de emergência adicionais em alguns países.
No entanto, os preços do petróleo continuaram subindo, mas sem atingir os cerca de US$ 120 por barril registrados no começo da semana, o maior valor desde 2022. O barril do Brent subiu 4,76%, aos US$ 91,98, e o do WTI teve alta de 4,55%, aos US$ 87,25.
O barril está US$ 20 mais caro do que antes da guerra no Oriente Médio. O analista Helge Andre Martinsen, da empresa DNB Carnegie, destacou que as reservas liberadas pelos países da AIE representam apenas parte da oferta perdida.
Segundo estimativas de Martinsen, as reservas liberadas podem chegar a 1,75 milhão de barris por dia, mas a perda de oferta seria de aproximadamente 11 milhões de barris diários. "Ajudará, mas não fará grande diferença para o equilíbrio mundial do petróleo a muito curto prazo", comentou.
O presidente Donald Trump disse hoje que os Estados Unidos vão usar "um pouco" das suas reservas estratégicas de petróleo. "Agora mesmo, vamos reduzi-la um pouco, isso fará os preços baixarem", afirmou, em entrevista à emissora Local 12.
- Pouco entusiasmo -
Nos mercados de ações, o anúncio também surtiu pouco efeito. O Dow Jones caiu 0,61% e o S&P 500 recuou 0,08%. Apenas o Nasdaq resistiu nos Estados Unidos, e teve leve alta de 0,08%.
Os principais índices europeus registraram perdas moderadas: Frankfurt caiu 1,37%; Londres, 0,90%; e Paris, 0,19%.
Os mercados se movem no compasso da guerra. Ontem, os índices de ações subiram com força e os preços do petróleo caíram, após Trump afirmar que o conflito terminaria "em breve".
"O presidente americano tentou tranquilizar os mercados, mas os investidores aguardam provas concretas e o retorno da calma ao Estreito de Ormuz", disse John Plassard, chefe de estratégia de investimentos do Cité Gestion Private Bank.
Esse cenário, no entanto, não parece próximo de se materializar. "É provável que os mercados se tornem a cada dia mais receosos com as implicações a longo prazo", disse Joshua Mahony, analista-chefe de mercados da Scope Markets.
Fawad Razaqzada, analista do Forex.com, indicou que a estratégia do Irã "sugere que o conflito pode se intensificar, em vez de esfriar".
E.Rodriguez--AT