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Sob intensos bombardeios, Irã define sucessor de Ali Khamenei
O Irã anunciou neste domingo (8) que escolheu um sucessor para o guia supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.
A Assembleia de Especialistas, órgão iraniano responsável por designar o principal dirigente do país, não revelou o nome de quem substituirá Khamenei, que estava no poder desde 1989.
Na última semana, circularam vários nomes como possíveis candidatos ao cargo, reservado a um religioso, incluindo o do filho do falecido guia, Mojtaba Khamenei, considerado uma das personalidades mais influentes do país.
Analistas também mencionaram o nome de Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini.
Independente do nome, Israel já anunciou que o novo guia supremo será "um alvo" e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira, em uma entrevista à plataforma Axios, que não aceitaria Mojtaba Khamenei no cargo.
O Irã continua enfrentando intensos bombardeios, na capital Teerã e outras cidades, como Isfahan e Yazd, no centro do país.
Uma espessa coluna de fumaça cobria Teerã neste domingo. Israel bombardeou quatro depósitos de petróleo na região da capital iraniana, o primeiro ataque relatado contra instalações petrolíferas do país desde o início da guerra.
A distribuição de combustível em Teerã foi "temporariamente" interrompida após os bombardeios, anunciou o prefeito da cidade, Mohammad Sadegh Motamedian.
Segundo o presidente da empresa nacional de distribuição de derivados de petróleo, Keramat Veyskarami, o ataque atingiu quatro depósitos e um centro logístico de produtos petrolíferos.
Quatro pessoas morreram, incluindo dois motoristas de caminhões-tanque, acrescentou o executivo.
O Exército israelense informou que bombardeou "vários" depósitos de combustível e anunciou ataques contra alvos militares em "todo" o país.
Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, disse que as "Forças Armadas são capazes de prosseguir por pelo menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual das operações".
- "Ataque de precisão" no Líbano -
A guerra no Oriente Médio também teve novos ataques aéreos noturnos em vários países do Golfo.
A capital do Líbano, Beirute, foi novamente bombardeada por Israel, no centro e na periferia sul, reduto do movimento xiita pró-iraniano Hezbollah.
No coração da capital, as forças israelenses bombardearam o hotel Ramada, uma operação que deixou quatro mortos e 10 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês.
Israel anunciou um "ataque de precisão" contra "comandantes importantes" da Força Quds, o braço de operações da Guarda Revolucionária iraniana no exterior.
Um fotógrafo da AFP observou um quarto no quarto andar com as janelas quebradas e as paredes com marcas de incêndio. Dezenas de hóspedes fugiram com suas bagagens.
Além disso, 12 pessoas morreram em bombardeios de Israel no restante do Líbano durante a noite, segundo a agência de notícias oficial ANI.
- Ataques noturnos no Golfo -
O Exército israelense afirma que efetuou 3.400 ataques desde o início da guerra. Washington informou 3.000 operações.
O regime iraniano responde com o lançamento de mísseis e drones contra Israel e os Estados do Golfo que abrigam interesses americanos.
O conflito desestabiliza todo o Oriente Médio e outras regiões, em particular devido aos efeitos sobre a produção e a distribuição de hidrocarbonetos, que provocam a disparada dos preços.
Neste domingo, os depósitos de combustível do aeroporto internacional do Kuwait foram atacados por drones. Uma usina de dessalinização no Bahrein também foi danificada em um ataque do tipo.
Na Arábia Saudita, segundo maior produtor mundial de petróleo, atrás apenas dos Estados Unidos, o bairro diplomático de Riade foi alvo de um ataque com drones, mas a tentativa foi frustrada, segundo o governo do reino.
- Advertência do Irã -
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez um alerta neste domingo. "Se o inimigo tentar utilizar o território de um país para lançar uma agressão contra o nosso território, seremos obrigados a responder", disse em uma mensagem divulgada pela televisão estatal.
O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ari Larijani, afirmou que os Estados Unidos se enganaram ao prever uma oposição de curta duração.
"Pensavam que seria como na Venezuela: atacariam, tomariam o controle e acabaria", afirmou.
No início da guerra, o presidente americano, Donald Trump, conclamou o povo iraniano a derrubar o regime, instaurado em 1979.
Contudo, embora Washington deseje a queda do regime, o objetivo declarado é destruir a capacidade balística do Irã e impedir que o país desenvolva a bomba atômica, intenção que Teerã nega ter.
As autoridades iranianas registraram quase 1.000 mortos desde o início da guerra, dos quais 30% são crianças. A AFP não tem condições de verificar os números com fontes independentes.
Os ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe participarão neste domingo de uma reunião de emergência por videoconferência sobre os ataques iranianos contra os territórios de vários países membros.
burx-jnd/roc/arm-jvb/erl/fp
T.Perez--AT