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Reunião política na China começa com foco na economia
A China iniciou nesta quarta-feira (4) a importante reunião política anual conhecida como "Duas Sessões", durante a qual o país deve revelar as metas de crescimento, assim como seu orçamento militar, em um cenário global delicado.
Milhares de parlamentares e representantes do Partido Comunista de todo o país permanecerão reunidos durante uma semana em Pequim, sob a supervisão do presidente Xi Jinping, para o evento minuciosamente coreografado e com grande cobertura da imprensa.
O conclave político definirá o rumo da segunda maior economia do planeta em 2026, mas também para os próximos cinco anos.
Até o momento, o governo não deu qualquer indício de que a guerra no Oriente Médio poderia ter um impacto no encontro dedicado, em grande parte, a definir a política interna.
Em contrapartida, analistas esperam que as "Duas Sessões" confirmem o rumo definido pelo presidente Xi e estão atentos a qualquer possível indício de mudança política anunciada no Grande Salão do Povo, perto da Praça Tiananmen (Paz Celestial).
O país anunciou as destituições de vários funcionários de alto escalão, incluindo generais, à medida que o evento se aproximava. Xi iniciou uma rigorosa campanha anticorrupção desde sua chegada ao poder em 2012.
A capital chinesa, coberta pela neve na manhã desta quarta-feira, tem um grande esquema de vigilância policial e o voo de drones está proibido.
Nada acontece de maneira improvisada durante o encontro, apresentado como uma demonstração da atenção que o onipotente Partido Comunista dedica ao povo.
A adoção dos textos é mais uma prova, já que a maioria foi aprovada de maneira antecipada pelos dirigentes do partido.
As deliberações começaram por volta das 15h00 locais (4h00 de Brasília) com uma sessão de grande pompa da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), órgão que tem como principal função apresentar sugestões políticas aos parlamentares.
Na quinta-feira será inaugurada a legislatura da Assembleia Popular Nacional (APN), o parlamento unicameral de 3.000 membros do país.
- Economia e defesa -
O primeiro-ministro Li Qiang apresentará o relatório de atividades do governo. Ele também deve anunciar a meta de crescimento da economia, que avançou 5% no final de 2025, um termômetro da ambição do país que, sozinho, responde por um terço do crescimento mundial.
Analistas preveem uma meta de crescimento entre 4,5% e 5% para este ano.
A China deve anunciar ainda o orçamento anual de defesa, diante dos muitos desafios estratégicos que enfrenta, como as tensões no Mar do Sul da China e em Taiwan, uma ilha democrática que Pequim reivindica e que prometeu recuperar, inclusive pela força se considerar necessário.
Os analistas esperam um aumento similar aos dos anos anteriores, de pouco mais de 7% desde 2022.
O evento também será uma oportunidade para adotar o plano quinquenal 2026-2030, um projeto que envolve economia, tecnologia, defesa e demografia.
As linhas gerais foram esboçadas em outubro pelo Comitê Central do Partido Comunista, em um documento de referência que promete redobrar os esforços em favor das tecnologias emergentes de ponta para transformar a indústria e garantir um forte crescimento do país.
O texto destaca a necessidade de estimular o consumo interno para reduzir a dependência das exportações.
Apesar da intensa guerra comercial travada com os Estados Unidos em 2025, antes de uma trégua frágil anunciada em outubro, a China registrou um superávit comercial recorde de quase 1,2 trilhão de dólares (6,3 trilhões de reais).
O país asiático enfrenta dificuldades para recuperar o dinamismo que tinha antes da pandemia de covid-19 (crescimento de 6,8% em 2018 e de 6,1% em 2019, segundo o Banco Mundial), porque sua economia continua sofrendo os efeitos prolongados de uma grave crise imobiliária.
T.Wright--AT