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Preços da energia disparam e bolsas despencam por guerra no Oriente Médio
Os preços da energia dispararam nesta terça-feira (3) por causa da guerra no Oriente Médio, que fortaleceu o dólar e derrubou as bolsas diante da preocupação com um surto de inflação.
A guerra no Oriente Médio ameaça uma região crucial para a produção e exportação de hidrocarbonetos.
O estreito de Ormuz, gargalo por onde transita cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo, está de fato fechado ao tráfego: as principais companhias marítimas suspenderam suas travessias diante da alta no valor dos prêmios de seguro.
O barril de Brent do Mar do Norte superou os 85 dólares pela primeira vez desde julho de 2024 durante as negociações.
Por volta das 13h30 de Brasília, subia 7,8%, a 83,79 dólares por barril. O West Texas Intermediate avançava 8,1%, a 77,00 dólares por barril.
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que se estende pelo Oriente Médio, alimentou os temores de uma crise energética que provoque um surto inflacionário.
"O aumento dos custos energéticos está alimentando as preocupações com a inflação, o que faz com que alguns descartem a possibilidade de uma redução das taxas de juros e outros aumentem as chances de uma alta, ao mesmo tempo em que crescem as preocupações com os lucros devido ao aumento dos custos operacionais e a uma possível desaceleração dos gastos dos consumidores", afirmou Patrick O'Hare, analista do Briefing.com.
Os principais índices de Wall Street operavam com perdas de 1% na metade do dia e as bolsas europeias sofreram quedas acentuadas.
Londres caiu 2,8%, Frankfurt 3,44% e Paris 3,46%. Madri perdeu 4,55% e Milão 3,92%.
"Os mercados europeus estão sendo muito afetados, já que o impacto inflacionário da guerra no Irã está se fazendo sentir com toda a sua força", afirmou Joshua Mahony, analista-chefe de mercados da Scope Markets.
Na Ásia, na Bolsa de Seul, onde as operações foram retomadas após o feriado de segunda-feira, o índice Kospi fechou com queda de 7,24%.
Em Tóquio, o índice principal Nikkei caiu 3,06% e o índice Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,23%.
– Temores de inflação –
"A pergunta é: vamos voltar a uma situação semelhante à de 2022, quando a alta dos preços da energia desencadeou uma onda de inflação maciça que afetou a economia mundial?", questionou Kathleen Brooks, analista da XTB.
O preço do gás continuou subindo nesta terça-feira, com o contrato futuro do TTF holandês, considerado a referência do gás natural no Velho Continente, avançando 20,69%, a 53,71 euros. Desde o início do ano, acumulou alta superior a 90%.
Os preços europeus do gás natural dispararam depois que a empresa pública de energia do Catar, QatarEnergy, anunciou a interrupção de sua produção de gás natural liquefeito (GNL) devido aos ataques iranianos contra as instalações de duas de suas principais plantas de processamento.
Antes disso, uma das maiores refinarias da Arábia Saudita teve que interromper parte de suas operações.
Todos os olhares continuam voltados para o estratégico estreito de Ormuz, que separa o Irã da península Arábica e dá acesso ao Golfo.
Os temores dos investidores sobre a economia europeia impulsionaram o dólar, que subiu 0,74% frente à moeda única, a 1,1604 dólar por euro.
Em contrapartida, o ouro — tradicionalmente um refúgio diante da incerteza geopolítica e do risco de inflação — caía 4,13%, a 5.102,16 dólares.
S.Jackson--AT