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Petróleo e gás disparam e bolsas recuam com intensificação da guerra no Oriente Médio
Os preços do petróleo e do gás dispararam, o dólar se valorizou e as bolsas caíram nesta segunda-feira (2), devido à intensificação da guerra no Oriente Médio desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
"Os investidores correm para ativos de refúgio em busca de proteção diante da escalada do conflito no Oriente Médio", explicou Susannah Streeter, chefe de estratégia de investimentos da Wealth Club.
Os mercados mais penalizados foram as bolsas da Ásia e as praças europeias, já que os investidores buscaram se proteger e apostaram em valores de refúgio como o dólar e o ouro. O dólar subiu 1% em relação a outras moedas e o ouro ganhou 1%, sendo negociado a 5.298,90 dólares a onça.
O conflito regional afeta o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde transitam quase 20% do petróleo mundial.
O preço do barril de Brent chegou a disparar quase 14% e o do West Texas Intermediate, perto de 12% na abertura, depois do fim de semana em que Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irã que matou o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e outros altos dirigentes do regime.
Por volta das 16h30 GMT (13h30 de Brasília), o Brent do Mar do Norte operava em alta de 7,2%, a 78,12 dólares, e o WTI ganhava 6,2%, a 71,17 dólares o barril.
O Brent, referência internacional do petróleo, já havia incorporado progressivamente um valor de risco geopolítico até chegar a 72 dólares na sexta-feira, distante dos 61 dólares do início do ano.
O preço do gás europeu disparou mais de 20%, já que a guerra coloca em risco as exportações de gás natural liquefeito do Golfo, em particular as vendas do Catar.
Patrick O'Hare, analista da Briefing.com, ressaltou que "o ocorrido durante o fim de semana e o que continua acontecendo agora gerou uma maior incerteza".
As bolsas europeias fecharam em baixa, com queda de 2,17% em Paris, recuo de 2,56% em Frankfurt, de 1,20% em Londres e de 1,97% em Milão. Em Madri, a praça caiu 2,62%.
As bolsas na Ásia também caíram. Tóquio encerrou a sessão com uma queda de 1,4% e Hong Kong, de 2,1%. Todas as bolsas do continente fecharam no vermelho, exceto a de Xangai, que terminou a sessão com leve alta de 0,5%.
Os principais índices de Wall Street caíram mais de 1% na abertura, mas reduziram as perdas ao longo da sessão.
- Riscos de inflação -
Os grandes prejudicados foram o setor aéreo e o turismo. As ações das companhias aéreas despencaram, já que as empresas foram obrigadas a cancelar voos e o aeroporto de Dubai foi afetado, embora mais tarde tenha anunciado que retomaria os voos de forma limitada.
As ações da IAG, proprietária da British Airways, caíram 5,2%, e as da Air France-KLM recuaram 9%. A Delta perdeu 2,9% e a United, 4,1%.
Em contrapartida, as ações das grandes empresas de energia e de defesa registraram fortes ganhos, com alta de 5,4% da BAE Systems em Londres e de 5,4% da Palantir em Nova York.
A Shell subiu 2,8% e a TotalEnergies, 3,5%. Os papéis da ExxonMobil avançaram 1,3% em Nova York.
"Se os preços do petróleo continuarem altos, cresce o risco de uma inflação geral mais persistente", escreveu Charu Chanana, da Saxo Markets.
Após o ataque de domingo a vários navios na região do Golfo, a Organização Marítima Internacional (OMI) pediu às empresas de navegação que "evitem" a área.
O preço dos seguros tornou-se proibitivo e as principais empresas confirmaram a suspensão da passagem de seus navios pelo Estreito de Ormuz.
O aumento dos preços da energia, a elevação dos custos de transporte e a perda de receitas para o transporte aéreo podem ter "um efeito prejudicial sobre o crescimento", advertiu o economista Eric Dor, da Escola de Administração IESEG de Paris.
"Se for uma questão de três dias, não é grave. Mas se se prolongar por mais tempo, terá um efeito recessivo adicional", declarou à AFP.
M.Robinson--AT