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Trump ameaça com tarifas países que venderem petróleo a Cuba
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na quinta-feira (29) uma ordem executiva que ameaça impor tarifas aos países que vendem petróleo a Cuba, medida que considera necessária para a "segurança nacional", mas que Havana classificou como um "ato brutal de agressão".
A decisão aumenta a pressão sobre o regime cubano, que mal consegue suprir metade de suas necessidades de energia elétrica.
A ordem executiva é apresentada pela Casa Branca como uma resposta a "uma emergência nacional", o que permite iniciar "um processo para impor tarifas às mercadorias de países que vendem ou, de outra forma, fornecem petróleo para Cuba, protegendo assim a segurança nacional e a política externa dos Estados Unidos".
O texto não menciona os países que poderiam ser afetados, nem o percentual das eventuais tarifas.
"Poderá ser imposta uma tarifa adicional 'ad valorem' (de acordo com o valor) sobre as importações de bens que sejam produtos de um país estrangeiro que venda ou forneça, direta ou indiretamente, qualquer tipo de petróleo a Cuba", indica o texto publicado pela Casa Branca.
"O presidente pode modificar a ordem se Cuba ou os países afetados adotarem passos significativos para enfrentar a ameaça ou se alinharem aos objetivos de segurança nacional e política externa dos Estados Unidos", acrescenta a nota.
Na noite de quinta-feira, o governo cubano classificou a ordem executiva do republicano como um "ato brutal de agressão".
"Denunciamos ao mundo este ato brutal de agressão contra Cuba e seu povo, que há mais de 65 anos são submetidos ao mais prolongado e cruel bloqueio econômico jamais aplicado contra uma nação inteira", escreveu na rede social X o chanceler Bruno Rodríguez.
Ele acrescentou que o documento apresentado pela Casa Branca inclui "uma longa lista de mentiras que pretendem apresentar Cuba como uma ameaça que não é".
Após a operação militar que derrubou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, Trump advertiu que Cuba deveria negociar "antes que seja tarde demais".
Washington relembra as críticas que apresenta contra Havana há décadas: "Alinhar-se e apoiar vários países, organizações terroristas internacionais e atores hostis aos Estados Unidos", entre eles Rússia, China, Irã, Hamas e Hezbollah.
Cuba também é acusada na ordem executiva de "desestabilizar a região por meio da imigração e da violência", ao mesmo tempo em que "propaga suas ideias, seus programas e suas práticas comunistas".
Após a captura de Maduro, Trump colocou sob controle dos Estados Unidos o setor petrolífero da Venezuela, que desde os anos 2000 era o principal fornecedor de petróleo de Cuba.
A nova ameaça do dirigente republicano surge no momento em que a ilha já enfrenta uma situação energética precária.
Cuba, submetida a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, registra há três anos escassez de combustível, com impacto direto sobre sua produção de energia elétrica.
O México também fornece atualmente petróleo bruto vital para a ilha. Entre janeiro e setembro do ano passado, a empresa mexicana Pemex exportou para a ilha 17.200 barris de petróleo bruto por dia e 2.000 de derivados, por um total de 400 milhões de dólares, segundo dados oficiais.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, reiterou na quinta-feira que seu governo continuaria sendo "solidário" com Cuba.
N.Walker--AT