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Trump baixa o tom e anuncia colaboração com governador de Minnesota após morte de civis
O presidente Donald Trump baixou o tom belicoso nesta segunda-feira (26) diante da situação tensa no estado de Minnesota e anunciou um telefonema com o governador Tim Walz, após a morte de dois cidadãos americanos em protestos contra as operações anti-imigrantes.
Trump também anunciou o envio de seu "czar" anti-imigração ilegal, Tom Homan, para este estado do norte do país, com a missão de informá-lo pessoalmente sobre a situação.
"O governador Tim Walz ligou para me pedir que trabalhemos conjuntamente", afirmou Trump em sua plataforma, Truth Social.
"Foi uma ligação muito positiva e, na verdade, parece que estamos em sintonia", acrescentou.
"Vamos voltar a nos falar muito em breve", prometeu.
Minneapolis, a cidade mais populosa do estado, tem sido palco de protestos cada vez mais tensos desde que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) mataram a tiros Renee Good — mãe de três filhos, de 37 anos - em seu carro, em 7 de janeiro.
No último sábado, outros agentes federais mataram o enfermeiro intensivista Alex Pretti, também de 37 anos, alegando que ele pretendia agredi-los.
Pretti tinha licença para portar armas, segundo a mídia americana.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou, nesta segunda, que o presidente Trump não quer ver gente "ferida ou morta nas ruas dos Estados Unidos", e disse que o republicano quer que cesse "a resistência e o caos" na cidade.
- Dois processos cruciais -
Tom Homan é um veterano do Departamento de Segurança Interna, encarregado da política de controle da fronteira sul e das deportações de imigrantes em situação irregular.
Apesar do tom conciliatório, Trump mantém a pressão em outra frente política em Minnesota, em pleno ano eleitoral.
"Separadamente, continua uma grande investigação sobre a enorme fraude de serviços sociais, de mais de 20 bilhões de dólares (R$ 105 bilhões), que ocorreu em Minnesota", explicou Trump na Truth Social.
Além das operações contra milhares de migrantes em situação irregular, o governo Trump empreendeu uma ampla revisão da ajuda recebida majoritariamente pela comunidade somali neste estado governado pelos democratas.
Um tribunal federal de Minnesota vai realizar audiências nesta segunda-feira sobre dois casos cruciais, enquanto aumenta a pressão para que seja realizada uma investigação independente sobre os homicídios.
Em um dos casos, o procurador-geral do estado pediu a uma juíza federal que detenha a mobilização de agentes do ICE na região.
A outra ação se concentra em impedir que os agentes federais destruam provas relacionadas ao assassinato de Pretti.
Governada por democratas, Minneapolis é uma cidade santuário, o que significa que sua polícia não coopera com as forças migratórias federais.
Trump, que prometeu deter e deportar "milhões" de migrantes sem documentos, defendeu os agentes que mataram Good e Pretti e assegurou que os dois pretendiam atacá-los.
No entanto, evitou dizer se o agente que atirou em Pretti tinha agido de forma apropriada.
Vários senadores do Partido Republicano, o mesmo de Trump, pediram uma investigação exaustiva sobre os homicídios e cooperação com as autoridades locais.
O governo Trump excluiu os investigadores locais das averiguações sobre a morte de Good.
Diante disso, o governador de Minnesota, Tim Walz, fez uma pergunta direta ao presidente durante uma entrevista coletiva no domingo: "O que temos que fazer para que estes agentes federais saiam do nosso estado?".
"Deportamos dez vezes mais estrangeiros ilegais do Texas que de Minneapolis. Por que não há problemas no Texas? Porque no Texas temos a cooperação e o apoio de forças das ordem locais", disse o procurador-geral adjunto, Todd Blanche.
- Defender valores -
Por sua vez, os ex-presidentes democratas Barack Obama e Bill Clinton pediram que os americanos se ergam e defendam seus valores após a morte de Pretti.
Com as tensões em seu ponto máximo, cerca de mil pessoas se reuniram no domingo em Minneapolis sob temperaturas congelantes para protestar contra a polícia migratória.
O.Ortiz--AT