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Mais de um milhão de pessoas sem eletricidade devido a ataques russos em Kiev a -14ºC
Bombardeios russos lançados na madrugada desta terça-feira (20) deixaram mais de um milhão de pessoas sem eletricidade em Kiev, onde as temperaturas giram em torno de -14°C e de onde cerca de 600 mil pessoas fugiram nas últimas semanas.
Os ataques russos obrigarão "mais de um milhão" de habitantes de Kiev a passar a noite sem eletricidade, e mais de 4 mil blocos residenciais seguem sem calefação — aproximadamente metade do total da capital —, denunciou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
O Parlamento está sem calefação, água nem eletricidade após os ataques, e o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, indicou nesta terça-feira à AFP que cerca de 600 mil pessoas deixaram Kiev desde que a prefeitura fez, em 9 de janeiro, um apelo para evacuar provisoriamente a capital ucraniana.
O bombardeio de centenas de drones e mísseis matou ao menos um homem de 50 anos perto da capital.
Jornalistas da AFP em Kiev ouviram sirenes de alerta aéreo e explosões enquanto os sistemas de defesa ucranianos respondiam aos drones e mísseis.
Marina Sergienko, uma contadora de 51 anos que se abrigou em uma estação de metrô no centro da capital, está convencida de que os ataques russos têm um propósito claro.
"Desgastar as pessoas, levar as coisas a um ponto crítico para que não reste força, para quebrar nossa resistência", disse à AFP.
O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, atacou o presidente russo, Vladimir Putin.
"O criminoso de guerra Putin continua travando uma guerra genocida contra mulheres, crianças e idosos", afirmou.
O ministro assegurou que as forças russas atacaram a infraestrutura energética durante a noite em ao menos sete regiões e instou os aliados da Ucrânia a reforçar seus sistemas de defesa aérea.
"O apoio ao povo ucraniano é urgente. Não haverá paz na Europa sem uma paz duradoura na Ucrânia", sustentou nas redes sociais.
Zelensky sugeriu que poderia ausentar-se do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, para lidar com as consequências do ataque.
Mas também manteve aberta a possibilidade de comparecer à reunião de líderes mundiais na estação suíça se os acordos com os Estados Unidos sobre um possível apoio econômico e de segurança no pós-guerra estiverem prontos para serem assinados.
Zelensky expressou ainda preocupação de que a questão da Groenlândia desvie a atenção internacional do conflito em seu país, quase quatro anos após a invasão russa.
– Sem calefação –
A Rússia lançou cerca de 339 drones de combate de longo alcance e 34 mísseis no ataque noturno, informou a força aérea de Kiev.
Zelensky afirmou que a Ucrânia só recebeu um carregamento de munições para sistemas de defesa aérea na véspera do ataque.
Na madrugada de 9 de janeiro, a Rússia já havia realizado um de seus piores ataques à rede energética de Kiev desde que invadiu o país há quase quatro anos.
Esse ataque deixou metade da capital sem calefação e muitos moradores sem eletricidade em um momento de temperaturas congelantes.
As escolas permanecem fechadas até fevereiro e as luzes das ruas foram reduzidas na tentativa de preservar os recursos energéticos.
– Ataques a outras regiões –
A companhia estatal de energia Ukrenergo anunciou cortes emergenciais de eletricidade para estabilizar o sistema.
Na região de Rivne, mais de 10 mil lares ficaram sem eletricidade, anunciou a administração regional.
A Rússia bombardeia o sistema energético da Ucrânia desde o início de sua invasão. Kiev considera isso uma tentativa de minar o moral e enfraquecer a resistência dos ucranianos.
O Kremlin afirma que ataca apenas instalações militares ucranianas e responsabiliza Kiev pela continuidade da guerra, por se recusar a aceitar suas exigências.
As negociações para pôr fim à guerra, iniciada em fevereiro de 2022, estão em impasse, mas nesta terça-feira o enviado russo Kirill Dmitriev afirmou ter mantido conversas "construtivas" com seus pares norte-americanos no Fórum Econômico Mundial, em Davos.
T.Wright--AT