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Trump diz já não pensar 'exclusivamente na paz' em sua campanha para adquirir a Groenlândia
O presidente Donald Trump advertiu em uma carta publicada nesta segunda-feira (19) que, após ser descartado para o Prêmio Nobel, não se sente obrigado a pensar "exclusivamente na paz", enquanto intensifica sua campanha para assumir o controle da Groenlândia.
Em uma extraordinária troca de mensagens com o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, o bilionário republicano questionou o direito da Dinamarca sobre essa vasta ilha do Ártico, rica em recursos naturais e posicionada estrategicamente, da qual afirma querer "controle completo e total".
"Dado que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por eu ter parado oito guerras ou MAIS, já não me sinto obrigado a pensar exclusivamente na paz", escreveu Trump ao premiê da Noruega.
"A Dinamarca não é capaz de proteger essa terra da Rússia ou da China, e, de qualquer forma, por que tem 'direito de propriedade'? Não há documentos escritos [...] O mundo não estará seguro a menos que tenhamos o controle completo e total da Groenlândia", afirmou.
Trump também fez questão de deixar transparecer sua indignação por não ter recebido o Nobel da Paz em 2025, atribuído à líder da oposição venezuelana María Corina Machado.
A mensagem chega dias depois de o presidente ameaçar com novas tarifas seus aliados europeus contrários a seu plano de aquisição da Groenlândia.
Os líderes de Alemanha e França denunciaram essas ameaças tarifárias como "chantagem", e Paris considerou que a Europa deveria se preparar para contra-atacar.
Isso proporcionou uma reprimenda preventiva por parte do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.
"Acredito que seria muito insensato", declarou Bessent à AFP ao chegar ao Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
A última diatribe de Trump voltou a deixar seus aliados à procura de um equilíbrio entre responder com firmeza e não irritar o volátil líder americano.
A União Europeia vau realizar uma cúpula de emergência nesta quinta-feira para avaliar sua resposta e, embora sua prioridade seja "se comprometer, não escalar", afirmou que estava disposta a agir.
A Groenlândia, onde milhares de pessoas foram às ruas no fim de semana com cartazes com mensagens contrárias aos Estados Unidos, afirmou que as ameaças tarifárias de Trump não faziam nenhuma diferença.
"Não vamos nos deixar pressionar", garantiu o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen no Facebook.
- Prêmio Nobel -
O primeiro-ministro norueguês Støre afirmou que a carta de Trump respondia a uma mensagem sua e do presidente finlandês Alexander Stubb na qual transmitiram "sua oposição" às ameaças tarifárias. Além disso, lembrou ao presidente americano que não é o governo da Noruega quem concede o Nobel da Paz, mas um comitê independente.
Apesar do vínculo direto que o próprio Trump estabeleceu, Bessent disse à AFP em Davos que não havia nenhuma relação entre o prêmio e o interesse do mandatário pela Groenlândia. "Creio que é uma completa falácia que o presidente venha a fazer isso pelo Prêmio Nobel", frisou.
Enquanto isso, em Nuuk, a capital de Groenlândia, Lea Olsen, uma estudante de 39 anos afirma não ter medo. "Não tenho medo porque acredito na Otan e acredito na Europa. Acredito que estamos unidos e que eles nos apoiam", disse.
- 'Segurança coletiva' -
Trump afirmou em diversas ocasiões que seu país precisa da maior ilha do mundo, rica em minerais e terras raras, por motivos de "segurança nacional", apesar de os Estados Unidos já possuírem uma base na Groenlândia e acordos de segurança com a Dinamarca, um país-membro da Otan.
O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, se reuniu nesta segunda com o secretário-geral da aliança militar do Atlântico Norte, Mark Rutte, para apresentar uma proposta de operações de vigilância no território.
Rutte escreveu na rede social X que discutiu "a importância do Ártico, incluída a Groenlândia", para a "segurança coletiva" com o ministro dinamarquês e a chefe da diplomacia da Groenlândia. "Seguiremos trabalhando juntos como aliados nestas questões importantes", escreveu.
O Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad, na sigla em inglês), uma organização militar conjunta de Estados Unidos e Canadá, anunciou que "em breve" chegarão aviões à base espacial americana de Pituffik, na Groenlândia, para realizar atividades "planejadas há muito tempo".
Os metais preciosos dispararam nos mercados, com a prata subindo 4% e atingindo um novo recorde.
E.Hall--AT