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Venezuela liberta número 'importante' de presos sob 'influência' de Trump
A Venezuela começou a libertar, nesta quinta-feira (8), um "número importante" de presos por razões políticas, uma medida que, para a Casa Branca, mostra a "influência" de Donald Trump no país após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro.
Estas são as primeiras libertações de presos venezuelanos e estrangeiros durante a presidência interina de Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após os ataques militares dos Estados Unidos, no sábado, que levaram à captura de Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
"Para a convivência pacífica, o governo bolivariano, junto das instituições do Estado, decidiu pôr em liberdade um número importante de pessoas venezuelanas e estrangeiras", disse o chefe da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina.
Cinco dos presos libertados são espanhóis, entre eles uma cidadã com dupla nacionalidade, informou o governo espanhol. O chanceler espanhol indicou que se trata da ativista Rocío San Miguel.
Sua advogada Theresly Malave disse à AFP, em Caracas, que a ativista "está bem".
"Este é um exemplo de como o presidente está utilizando ao máximo a sua influência para fazer o certo para os povos americano e venezuelano", afirmou a subsecretária de Imprensa da Casa Branca, Anna Kelly, em comunicado à AFP.
Jorge Rodríguez não detalhou quantas pessoas ou quem será libertado, mas agradeceu a as gestões feitas pelos governos espanhol, brasileiro e catari sobre o assunto.
A ONG Foro Penal, que contabiliza 806 presos por razões políticas na Venezuela, dos quais 175 militares, comemorou a "boa notícia".
No conhecido centro de detenção conhecido como Helicoide, familiares de presos têm comparecido para buscar informação. Policiais impedem que eles se aproximem da porta para perguntar, constatou a AFP.
"Estou nervosa. Deus queira que isto seja uma realidade", disse a mãe do ativista político Juan José Freites, coordenador do Vente Venezuela, o partido da líder opositora María Corina Machado.
Atalí Cabrejo contou que seu filho foi "sequestrado" por forças do Estado há dois anos em sua casa. "Senti medo, muito terror, muito nervosismo pela vida deles, pelos outros que sofreram", apontou.
Imediatamente após serem capturados, Maduro e sua esposa forom levados a Nova York, onde enfrentam a Justiça americana por narcotráfico e outras acusações.
- Telefonema entre Petro e Trump traz 'alívio' -
Na quarta-feira, o presidente colombiano Petro falou por telefone com o mandatário americano Donald Trump, que dias antes tinha ameaçado atacar a Colômbia.
Os dois concordaram em realizar "ações conjuntas" contra a guerrilha ELN, que atua na fronteira com a Venezuela, informou à Blu Radio o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti.
Após meses de tensões, o clima entre Colômbia e Estados Unidos é de "alívio" e "tranquilidade" após o telefonema, "mas não há um clima [...] de triunfalismos", disse à AFP o vice-chanceler colombiano, Mauricio Jaramillo.
A Presidência da Colômbia informou que Delcy Rodríguez visitará Bogotá em uma data que ainda será definida para se reunir com Petro, que deseja "contribuir para uma saída à crise política da Venezuela".
- EUA controla vendas de petróleo -
Trump declara abertamente que os Estados Unidos vão ditar as decisões ao governo interino venezuelano, e este aceitou negociar com Washington a venda do petróleo do país.
Em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo The New York Times, o presidente americano afirmou que os Estados Unidos poderiam manter o controle da Venezuela e de seu petróleo por anos. Trump exaltou, ainda, a "sintonia muito boa" com o governo interino em Caracas.
Pouco depois da ação militar em Caracas, Trump alertou que Delcy Rodríguez pagará "um preço muito alto, provavelmente mais alto que Maduro", se não cumprir com seus desejos.
"Está Delcy realmente no comando? Sim, mas não como chefe de Estado soberana", mas "como administradora local dos interesses americanos", disse à AFP o ex-ministro de Informação da Venezuela, Andrés Izarra, em um e-mail.
"Seu poder vem de Washington, e não de uma estrutura interna. Se Trump decidir que ela já lhe serve mais, sairá como Maduro", acrescentou.
A operação americana, que incluiu comandos em terra, bombardeios de aviões de combate e uma imponente força naval, deixou 100 mortos e feriu Maduro e sua esposa, afirmou o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello.
O Senado americano deu um passo importante nesta quinta-feira para aprovar uma resolução que proíbe novas hostilidades dos Estados Unidos contra a Venezuela sem a autorização explícita do Congresso.
A votação final, prevista para a próxima semana, é basicamente uma formalidade. No entanto, o esforço é visto como simbólico, pois enfrenta um panorama difícil na Câmara de Representantes.
A presidente interina aceitou negociar a venda de petróleo com Washington através da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).
Nas ruas de Caracas, os venezuelanos se mostram divididos sobre esse plano.
"Sinto que teremos mais oportunidades se o petróleo estiver nas mãos dos Estados Unidos do que nas mãos do governo, porque os Estados Unidos não vão se encarregar apenas da produção, mas vão administrar o dinheiro", disse José Antonio Blanco, de 26 anos.
Teresa González, de 52, disse não saber se o plano é bom ou ruim.
"É complicado porque algumas pessoas dizem uma coisa e outras dizem outra. Não dá para saber, é uma grande confusão. Tudo o que podemos fazer é tentar sobreviver. Se não trabalhamos, não comemos", disse.
A Venezuela possui a maior reserva de petróleo bruto do mundo mas sua indústria petroleira está submetida a sanções dos Estados Unidos desde 2019, durante o primeiro mandato de Trump.
Atualmente, a Chevron é a única multinacional que opera no país, graças a uma autorização especial.
A China era, até agora, o principal comprador do petróleo venezuelano.
N.Walker--AT