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Novo premiê francês revoga supressão de feriados e faz aceno à esquerda
O novo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, fez, neste sábado (13), um aceno à esquerda ao descartar o plano de seu antecessor de suprimir dois feriados para ajudar a reduzir o déficit do país.
Seu anúncio ocorreu um dia depois de a agência de classificação Fitch ter rebaixado em um nível a nota da dívida da França, de "AA-" para "A+" com perspectiva estável, devido à persistente instabilidade política e às incertezas orçamentárias que dificultam um saneamento fiscal.
Lecornu, ex-ministro da Defesa e homem de confiança do presidente Emmanuel Macron, assumiu o cargo na quarta-feira em substituição a François Bayrou, derrubado pelo Parlamento por seu plano de ajustes para 2026.
O programa previa cortar 44 bilhões de euros e suprimir dois feriados, o que reacendeu o descontentamento social em um país que teve cinco primeiros-ministros desde 2022, ano em que Macron foi reeleito.
Agora cabe a Lecornu, de 39 anos, conseguir um orçamento para o próximo ano e encontrar estabilidade negociando com as demais forças políticas.
Em uma entrevista à imprensa regional divulgada neste sábado, o novo primeiro-ministro anunciou a retirada de uma das medidas mais controversas de seu antecessor.
"Decidi retirar a supressão de dois feriados", declarou Lecornu, e pediu a retomada do diálogo com os interlocutores sociais para encontrar outras formas de financiar o orçamento de 2026.
Desde o fracassado adiantamento eleitoral de 2024, a França vive uma profunda instabilidade política sem maiorias parlamentares estáveis, em um contexto de elevada dívida pública: cerca de 114% do PIB. O déficit, por sua vez, foi de 5,8% do PIB em 2024.
Lecornu deve lidar, assim como seus antecessores, com uma Assembleia Nacional (câmara baixa) dividida em três grandes blocos: esquerda, centro-direita e extrema direita.
Para tentar alcançar uma maioria com a oposição socialista, Lecornu poderia incluir em seus orçamentos maiores impostos às grandes fortunas, uma linha vermelha até agora para o macronismo.
Na entrevista divulgada neste sábado, o primeiro-ministro disse que estava disposto a trabalhar em "questões de justiça fiscal", sem dar mais detalhes.
Lecornu também afirmou que pretende manter um "debate parlamentar moderno e franco, de muito bom nível" com os socialistas, os ecologistas e o Partido Comunista, instando-os a "emanciparem-se" da França Insubmissa (LFI, esquerda radical, principal força progressista em número de cadeiras).
Também mencionou possíveis conversas com o Reagrupamento Nacional (RN, extrema direita), embora tenha descartado "um acordo político" com esse partido.
burs-jj/sbk/sag/meb/ic
A.Anderson--AT