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Trump volta a ameaçar Índia e indústria farmacêutica com aumentos de tarifas
Horas antes de entrar em vigor o aumento tarifário sobre as importações brasileiras, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apertou nesta terça-feira (5) o cerco aos produtos farmacêuticos e à Índia enquanto acelera as negociações com a Suíça.
Na semana passada, o republicano assinou um decreto que aumenta as tarifas alfandegárias entre 15% e 41% para dezenas de parceiros comerciais a partir de 7 de agosto. A Suíça é um dos países mais prejudicados, com 39% de sobretaxas.
O Brasil recebe um tratamento à parte devido à natureza política do aumento para 50%. Trump protesta assim contra o julgamento por tentativa de golpe contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem considera vítima de uma "caça às bruxas".
Os 50% adicionais não serão aplicados a todos os produtos. Estão isentos o suco de laranja, os metais preciosos ou a pasta de celulose, entre outros. A aviação civil também ficou de fora, algo essencial para a fabricante Embraer, que registrou perdas líquidas de R$ 53,4 milhões no segundo trimestre de 2025.
O café, no entanto, não escapou da investida tarifária do republicano de 79 anos, que prevê mais sobretaxas aos produtos farmacêuticos e para a Índia por comprar petróleo russo.
- Petróleo russo -
"A Índia não tem sido um bom parceiro comercial, porque eles fazem muitos negócios conosco, mas nós não fazemos negócios com eles. Ajustamos para 25%, mas acho que vou aumentar isso substancialmente nas próximas 24 horas, porque estão comprando petróleo russo", disse Trump em uma entrevista à CNBC, não detalhando qual seria o aumento.
O chefe de gabinete do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, Andrii Yermak, aproveitou a ocasião para denunciar em uma mensagem no Telegram a presença de "componentes indianos em drones russos" utilizados "no front e contra civis".
Quanto aos produtos farmacêuticos, o presidente republicano anunciou no início de julho que imporia uma sobretaxa de 200% se a produção não fosse transferida rapidamente para território americano.
"Inicialmente, vamos colocar uma tarifa baixa sobre os produtos farmacêuticos, mas em um ano, um ano e meio, no máximo, subirá para 150% e depois para 250% porque queremos que os produtos farmacêuticos sejam fabricados em nosso país", disse Trump à CNBC.
Ao mesmo tempo, o mandatário quer reduzir os preços dos medicamentos, que em média são muito mais altos do que na grande maioria dos outros países industrializados.
Em cartas enviadas na semana passada para 17 empresas do setor, ele pediu que baixem os preços de seus produtos ou enfrentarão represálias. Elas têm até o dia 29 de setembro para se comprometerem a fazê-lo.
Os impostos sobre a indústria farmacêutica são, sem dúvida, um dos temas na agenda das negociações entre Suíça e EUA.
A presidente suíça, Karin Keller-Sutter, e seu ministro da Economia, Guy Parmelin, tentarão nesta terça-feira reduzir a taxação de 39%, muito superior à aplicada aos produtos da União Europeia (15%).
- "Não quis ouvir" -
Trump não parece receptivo à ideia.
A presidente "é muito simpática, mas não quis ouvir. Até agora, quase não pagaram tarifas. Temos um déficit de 41 bilhões de dólares [R$ 226 bilhões] e eles querem pagar 1%", insistiu na CNBC.
"Enriquecem com a indústria farmacêutica e fabricam os nossos medicamentos na China, na Irlanda e em outros locais", criticou.
Os produtos farmacêuticos representaram 60% das exportações suíças de bens para os Estados Unidos no ano passado.
Em abril, Trump já impôs um mínimo tarifário universal de +10%, o que muitos de seus parceiros continuarão pagando, incluindo a maioria dos latino-americanos. Mas a partir de 7 de agosto, muitos outros enfrentarão sobretaxas de até 41%.
A maioria pagará um adicional de 15%, como Costa Rica, Bolívia, Equador e Venezuela. A Nicarágua, 18%.
O México tem um prazo de 90 dias para negociar os aumentos tarifários, embora já enfrente taxações adicionais de 25% sobre produtos não respaldados pelo Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC), do qual faz parte com EUA e Canadá.
Além disso, Trump impôs tarifas específicas a setores como 50% sobre o aço, o alumínio e o cobre. E 25% sobre automóveis e componentes que não integram o T-MEC.
H.Romero--AT