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Sanções de Trump na Venezuela, incerteza e recessão à vista
A Venezuela ainda não se recuperou de seu colapso econômico e a possibilidade de uma nova recessão está nas mãos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se ele revogar ou prorrogar as permissões para que as empresas de petróleo internacionais operem no país sancionado.
Nesta semana, Washington anunciou negociações com o governo do presidente Nicolás Maduro, o que levou à libertação de um militar dos Estados Unidos detido em Caracas.
O gesto foi visto como uma possível maneira de prorrogar a licença da gigante de energia Chevron, que expira na próxima terça-feira, assim como as de outras empresas de petróleo, como a espanhola Repsol, a francesa Maurel & Prom e a italiana Eni.
As licenças foram concedidas em 2022 pelo ex-presidente Joe Biden e permitiam a operação das empresas, apesar do embargo ao petróleo imposto por Trump em 2019, durante seu primeiro governo, como parte de sua estratégia para tirar Maduro do poder.
Enquanto as empresas petrolíferas cobravam dívidas, a Venezuela arrecadava quantias substanciais de dinheiro.
- Pingue-pongue -
"Tanto os terceirizados quanto a própria Chevron chegaram a pensar que era o fim, e agora, nos últimos dias, vemos novamente o início do pingue-pongue", disse o economista Francisco Monaldi, da Universidade Rice do Texas, em um fórum sobre o assunto.
"Deve ser muito difícil para eles e para os contratantes em campo saber realmente o que vai acontecer”, acrescentou.
O prazo de saída era 3 de abril, depois foi prorrogado para 27 de maio e, nos últimos dias, o governo americano entrou em contradição.
"Trump autorizou a prorrogação se conseguíssemos fazer algum progresso, se conseguíssemos criar confiança e fizemos isso hoje, portanto a prorrogação será concedida", disse Richard Grenell, negociador de Trump com Maduro, em uma entrevista no podcast de Steve Bannon.
Um dia depois, o secretário de Estado americano EUA, Marco Rubio, anunciou na rede social X que a licença expiraria em "27 de maio".
A palavra final está com o Tesouro americano, de acordo com analistas.
- "Substituídas" -
"Se a projeção para o final do ano era de uma renda total de 16 bilhões de dólares" (91 bilhões de reais), com o fim das licenças isso pode cair para 8 bilhões (45,5 bilhões), acrescentou o economista da Universidade Central da Venezuela, Manuel Sutherland.
A produção e as exportações continuarão. O país aprendeu a contornar as sanções vendendo petróleo bruto com desconto e por meio de triangulação. Maduro garantiu que os trabalhadores estão aptos a operar os campos de petróleo.
"Como acontece com as drogas, sempre haverá um comprador", diz o especialista Elías Ferrer, da Orinoco Research.
A Chevron defende sua permanência na Venezuela. O CEO da empresa, Mike Wirth, disse ao canal Fox News que, se deixasse o país caribenho, o grupo poderia ser substituído por "empresas chinesas e russas".
A Repsol disse em março que buscaria "mecanismos" para continuar operando na Venezuela, onde 84% de seus projetos envolvem gás.
A.O.Scott--AT