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Espanha e Portugal vão colaborar para identificar causas do apagão
Espanha e Portugal criaram um grupo de acompanhamento conjunto para identificar as causas do apagão elétrico maciço que afetou a península ibérica na última segunda-feira, acordaram a ministra espanhola para a Transição Ecológica e a titular portuguesa da pasta do Meio Ambiente e Energia.
Durante uma reunião por videoconferência, a espanhola Sara Aagesen e a portuguesa Maria da Graça Carvalho chegaram a um acordo, nesta sexta, para implantar este grupo de acompanhamento para "analisar as circunstâncias do ocorrido", informou o Ministério da Transição Ecológica espanhol em um comunicado.
"Conseguimos compartilhar uma colaboração iniciada no primeiro dia", explicou Aegesen, citada na nota. A cooperação entre os dois países, destacou, se estende não só na troca de dados, mas também na vontade "para identificar o incidente, a causa e sobretudo para propor as medidas necessárias para que não volte a acontecer".
As ministras também acordaram manter "uma atuação coordenada" sobre a informação que deve ser enviada aos organismos europeus. Elas terão uma nova reunião remota na semana que vem.
Quatro dias depois do caos da segunda-feira, quando um apagão maciço deixou Espanha e Portugal sem luz por horas, autoridades e especialistas seguem sem uma explicação oficial sobre o ocorrido.
"É muito importante compilar toda a informação para entender o que esteve na origem do acidente que, como sabem, foi na rede espanhola", disse a jornalistas Maria da Graça Carvalho após a reunião, insistindo na ideia expressa pelo governo português de que a origem do apagão esteve na Espanha.
"Foi algo muito complexo e, por isso, vai demorar algum tempo. Precisamos de muitos dados para saber exatamente o que aconteceu", acrescentou.
Na segunda-feira às 12h33 locais (07h33 de Brasília), 15 gigawatts, o equivalente a 60% do consumo da energia elétrica na Espanha, foram subitamente perdidos do sistema, um fenômeno que o governo qualificou como "inédito".
Muitos olhares se voltaram nos últimos dias para o auge das energias renováveis, que alguns apontam como possíveis responsáveis por sua provável influência na estabilidade da rede. A presidência do operador da rede elétrica espanhola, REE, defendeu, no entanto, que o "mix" renovável era "seguro" e o governo pediu que se evite fazer especulações até que as causas sejam conhecidas.
A hipótese de um possível ciberataque, que a justiça espanhola investiga, também foi considerada pouco plausível pelo REE, que disse não ter detectado "nenhum tipo de invasão".
F.Wilson--AT